Spyro the Dragon – Só um jogo bom

Bom dia! Hoje está um dia confortável e meu café tá bom. Espero que seu dia esteja sendo bom também. Hoje nós vamos falar sobre Spyro. Dessa vez, prometo que vai ser um texto mais curto porque não é um jogo que tem tanto a ser dito. Não vamos enrolar muito então, né?

Bem, ninguém tá se perguntando isso, mas por que Spyro? Collectathon é um dos meus gêneros preferidos, e eu falo bastante sobre eles aqui em textos, especificamente falei muito sobre Wario Land como todos sabem, mas em várias reviews de Wario Land eu mencionei Spyro, Banjo-Kazooie e os Marios 3D, que são todos collectathons. Mas, fora Wario Land, eu nunca parei pra fazer um textinho sobre algo mais conhecido e abrangente no gênero, e recentemente, enquanto eu procurava algum jogo pra me tirar da depressão, eu voltei a jogar Spyro. Eu comecei o 3 porque é meu favorito, mas como ele crasha no meu PC e só posso jogar no PC do meu irmão, eu precisava de um substituto no meu PC, e resolvi jogar o primeiro de novo. Foi aí que eu percebi que seria interessante fazer um texto sobre Spyro, já que é um gênero que eu gosto muito e uma franquia que eu tenho muito afeto. Prometo que teremos um texto sobre os outros jogos, especialmente o 3, e que esse pode ser um texto bem grandinho, mas hoje, vamos falar do primeiro jogo.

Então, o primeiro a se dizer é a lenga lenga básica sobre collectathons. Eu sempre falo disso em toda review sobre esse gênero, mas é muito importante salientar pra quem não conhece. Collectathons são jogos baseados em explorar e coletar coisas, não exatamente se limitando só a isso. Na verdade, a grande maioria dos collectathons possuem gameplay enquanto você explora, com platforming, combate, puzzles e etc, pra deixar o jogo mais divertido e a experiência mais cativante. Isso não exatamente caracterizaria um gênero difícil de fazer, mas é, e a dificuldade vem de outro aspecto desses jogos, e é a exploração. Explorar é algo que cada jogador faz individualmente, e todo mundo enxerga e explora de maneiras diferentes. Dessa forma, a exploração de um jogo precisa ser fluída e justa pra ser divertido explorar, as descobertas precisam fazer sentido na mente dos jogadores pra que seja possível acessar a elas, e ainda assim manter um desafio considerável em procurar as coisas. É uma linha tênue pra criar um gameplay justo e suave, mas essa linha é bamba porque cada jogador pensa diferente, e todo mundo encara esses jogos de modo diferente. Por isso, fazer um bom collectathon é realmente muito difícil porque precisa ser bom para qualquer tipo de jogador e isso traz um desafio muito grande. Contudo, temos exemplos maravilhosos de bons collectathons, com Wario World, Banjo-Kazooie e, felizmente, Spyro.

Spyro é um dos jogos que especialmente dominou o gênero collectathon porque a trilogia original inteira conseguiu acertar na exploração de maneiras fantásticas e inspiradoras, e se tornou um jogo muito influente por causa disso. E, já adianto, o primeiro jogo da franquia realmente é muito bom na exploração. Todas as fases são bem trabalhadas nesse fator, coletar tudo é muito satisfatório e o jogo é bem justo, para jogadores que querem completar 100% e para os que só querem zerar normalmente.

Spyro 1 é um jogo bom, mas como o título diz, nada mais que isso. O problema do jogo, que o faz ser apenas um jogo básico, é a parte fora collectathon. Esse é um jogo que raramente tem muita gameplay, e o que tem é bem fácil ou realmente chato. Todos os encontros com inimigos são resolvidos em um ataque, o Spyro pode levar até 4 hits seguidos e se curar com facilidade, e as seções de plataforma são realmente muito fáceis. Morrer nesse jogo te teleporta pra bem perto de onde você morreu, e receber um game over faz você resetar a fase mas tudo que você pegou nela fica salvo. Dessa forma, sem a parte da exploração, o jogo não é grandes coisa em geral, o que me leva a pensar se vale a pena jogar esse jogo sem tentar um 100%, onde parece que ele seria um jogo bem repetitivo e talvez bem entediante.

Mas, isso não é o jogo todo. Ele tem alguns desafios e boss fights (ok, boss fights nem tanto) que são mais complexos, alguns puzzles inteligentes e raras seções que platforming é realmente algo. Como eu disse, é um jogo bom, mas eu infelizmente não recomendaria porque se você não gostar muito de exploração, talvez o jogo seja muito chato.

Spyro é um jogo bem simples, e em exploração ele é realmente excelente, mas a falta de realmente gameplay faz com que o número de fases se torne incômodo, porque todas elas acabam sendo a mesma coisa. Obviamente, como você tem que procurar coisas, cada fase realmente é diferente porque você tem que conhecer cada uma individualmente, mas o processo de fazer isso sem nada mais se torna repetitivo, porque é só isso que o jogo tem a oferecer por longas horas de gameplay (dito isso, as fases de Magic Crafters são as melhores de longe).

No entanto, não é um jogo que pode ser jogado sem ao menos um pouco de atenção, ainda assim. As lutas não são realmente difíceis, mas cada inimigo só pode ser vencido por um ataque diferente, e às vezes em timings diferentes. Todo confronto é resolvido no seu primeiro ataque, mas qual vai ser e quando vai variar. Isso eu defendo, é ao menos uma aproximação interessante de como fazer o combate, o problema é que é fácil demais pra realmente importar (exceto Gnorc Cove, essa aí é legal mesmo). Eu acho legal que você precise dar charge em um inimigo, flame em outro na frente, e aí esperar um pouco pra flame em outro, e você esperaria que esses inimigos em sequência talvez trariam desafios a mais mas o jogo nunca tira proveito disso. Quando você vê um inimigo sua mente já sabe como matar ele, você automaticamente faz o que tem que ser feito e pronto, sem pensar muito. Então, quando o jogo joga muitos de uma vez, por ser tão simples e memorável lembrar desses padrões, você acaba não tendo problema nenhum de qualquer forma. Literalmente os únicos inimigos difíceis de lutar não é exatamente um mérito do jogo, são inimigos que você tem que matar antes que ele te veja (ou muito rápido depois que ele te ver) porque senão é garantido que você vai levar o hit, como os “sapos” em algumas fases de Beast Makers. Por conta disso, o combate do jogo se torna algo que, se você prestar atenção, nunca vai ter um problema sequer, e se você decidir que não quer pensar muito jogando você… ainda vai conseguir zerar o jogo, só vai levar um pouco mais de dano e talvez morrer uma vez ou outra. Na primeira vez que eu terminei ele eu participava do primeiro grupo, mas atualmente eu não me importo muito e jogo sem muita atenção. Por isso, acho um jogo fácil demais.

Ainda assim, o jogo tem bons controles, uma câmera razoável, muita personalidade e muito carinho. Tem uma das soundtracks mais experimentais que eu já escutei, com uma espécie de rock leve que só Spyro tem, e gráficos que, embora não sejam tão surpreendentes quanto os dois jogos seguintes, envelheceram muito bem por possuírem uma artstyle mais simples e bonitinha. É um jogo bastante memorável e, contanto que você goste muito da parte de coletar coisas, seria bom que tentassem. E, quando eu falo da exploração ser boa, eu falo bem sério, cada fase fica cada vez mais genial nas ideias que usa e é um fato que se você realmente procurar você sempre vai conseguir achar em Spyro.

E, no final de tudo, ainda tem muito charme em um jogo como esse. Não tem habilidades novas pra ganhar, raramente minigames, não tem veículos ou outros personagens, e o jogo não brinca tanto com o gameplay, é só a nua e crua exploração de Spyro, que pode ser chamativo pra pessoas que só estão interessadas nisso. Eu prefiro muito mais a aproximação do 3, que tem tudo que o 1 tem com gameplay realmente divertido e melhorado, mas eu vejo o 1 sendo adorado e consigo entender o porquê.

Mas, depois de um primeiro jogo como esse, a franquia só tende a subir. O primeiro jogo foi um experimento interessante de como fazer um collectathon, mas os jogos seguintes podem pegar a fórmula e melhorar ela muito. Isso porque o primeiro Spyro mostra muito potencial, e apresenta muitas boas ideias que com o tempo podem ser aprimoradas. Um bom exemplo é que mesmo a minha reclamação sobre o combate algumas fases acabam se escapando, por possuírem inimigos mais difíceis de se aproximar, normalmente nos últimos mundos, deixando o jogo muito mais divertido e desafiador, mesmo que por pouco tempo. E, por isso, mesmo que eu já tenha falado de tudo, eu quero dedicar um último momento exemplificando exemplos de design ruim e exemplos de design bom nos inimigos de Spyro 1.

Pra começar, eu vou pegar exemplos dos últimos Homeworlds, porque os primeiros eram mais fáceis de propósito. Ainda acho que seria legal um desafio mesmo no começo do jogo porque esse jogo é bem grande e você passa bastante tempo no início, mas essas primeiras fases tem foco apenas em exploração, e são divertidas por isso. Então, vou trazer dois exemplos ruins de Beast Makers, o quarto homeworld, e dois exemplos bons de Dream Weavers, o último antes do mundo do final boss.

O nosso primeiro exemplo ruim são os macaquinhos de Tree Tops. Tree Tops é uma das fases mais complexas do jogo, baseada em velocidade, momentum e… bem, isso não importa. O que importa é que essa fase tem dois inimigos principais, macaquinhos e macacões. Os macacos pequenos tem um padrão muito simples. Se eles te veem, jogam banana, e podem ser vencidos com ambos charge e flame. Desviar das bananas é razoavelmente difícil, por serem um projétil bem grande e você não ter tanto espaço pra desviar na maioria das vezes. Então como mata? Olha, é bem ridículo mas, é só atacar primeiro. Ataque rápido uma vez e está feito. Não tem mistério e não tem dificuldade. Se você não atacar rápido o suficiente, leva 1 de dano. O jogo também nunca coloca muitos macacos no mesmo lugar pra eles serem um problema, até porque isso não faria sentido já que não acrescentaria em nada na estratégia, ainda ia ser atacar primeiro todos eles. Os macacos maiores são ainda piores, porque agora, embora só possam ser vencido com flame, eles nem sequer tem um ataque bom que auxilie eles, eles são só o básico do básico cara forte que morre pra fogo, e você destrói ele ainda mais fácil por ele ser um alvo maior.

O nosso primeiro exemplo bom vem de Dark Passage, um demônio que atira flechas. Ele é um exemplo bom porque, embora seja um inimigo razoavelmente fácil, o padrão dele é bem livre e prático, então ele pode ser usado em conjunto com outros inimigos, desafios ou mais dele mesmo. O que acontece é que quando ele te vê, ele atira uma flecha. É uma flecha grande então é bem fácil te acertar, mas pra desviar você vai pro lado ou pula, nada demais. Só que isso fica mais divertido se tiver mais alguma coisa com ele, deixando sua atenção dividida entre a flecha e tal coisa que esteja ajudando ele, fazendo os encontros com ele muito mais dinâmicos e legais.

O segundo exemplo ruim é de Misty Bog, e eu… não sei como descrever essas merdas. São pedaços de arbusto gigante, com olhos e uma boca enorme. Quando você chega perto eles te comem, então cospem fora. A gimmick deles é serem bem rápidos, quando começam a se mexer já te pegaram, então eles tecnicamente deviam ser inimigos difíceis… mais ou menos. O problema deles é na verdade o fogo do Spyro, que é muito forte. Flame cobre um espaço muito bom na frente do Spyro, dura bastante tempo, e enquanto tá durando acompanha o Spyro enquanto ele anda. Por isso, matar esses bichos não é nem sequer questão de timing, você aperta bolinha, anda pra zona que ele vai atacar e ele vai se jogar na frente do fogo e morrer. Não é um bicho que é um problema em nenhum momento da gameplay, embora o jogo fizesse ele pra ser mais forte.

Então o nosso último exemplo bom são os monstros, cachorros e acho que tartarugas de, também, Dark Passage. Como são dois inimigos, vamos explicar eles separados, mas primeiro falar o que os une. Eles tem uma mecânica que, se tiver alguma luz perto deles, eles são pequenos e inofensivos (quase). Mas, se não houver luz nenhuma, eles se tornam monstros até que bem assustadores. O cachorro é uma versão melhor do inimigo anterior do pântano, ele é bem rápido e embora possa ser derrotado do mesmo jeito ele normalmente não vem sozinho e tá em espaços apertados. Já a tartaruga é um inimigo realmente bom. Em ambas as formas ele te atira bolas de fogo… ou bombas, eu realmente nunca prestei atenção, eu tava mais preocupada em desviar disso. Mas, quando ele tá grande, ele é invencível, e quando tá pequeno você precisa usar o charge pra matar. Algo que une ambos os inimigos são pequenos bobos, inimigos que não morrem mas podem ser atacados criando efeitos especiais. Os dessa fase deixam uma lanterna no chão que ilumina os inimigos, enfraquecendo eles e possibilitando que eles sejam derrotados. Por isso, as estratégias se tornam bem mais divertidas porque você primeiro tem que arranjar uma forma de luz, e aí derrotar os inimigos mas um deles continua tendo poder de fogo e precisa ser enfrentado com mais atenção mesmo na sua forma enfraquecida.

Mas, isso é tudo sobre Spyro. Agora, não sei se o próximo texto vai ser sobre o 2 ou o 3 (depende de qual eu zerar primeiro mas meu deus eu amo o 3), mas prometo uma review um pouco mais longa. Agradeço a atenção e espero que tenha sido um texto divertido, embora curto. Boa noite!

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