Crash Bandicoot é eterno

Crash é uma parte grande da minha infância, uma das maiores. Por causa desse marsupial eu quase perdi meu próprio aniversário, simplesmente porque queria ficar em casa jogando Crash 3. De modo similar, acredito que em 2017 ou 2018 eu zerei todos os três de novo, mas o terceiro foi terminado bem no dia do meu aniversário. E, bem, agora, um dos meus canais favoritos começou uma gameplay da trilogia refeita do PS4, e nesse momento eles acabaram de terminar a série de Crash 3. Há umas semanas, a série do 1 deles me incentivou a jogar Crash mais uma vez, simplesmente porque quanto mais eu assisto mais divertido Crash parece. E porque o Victor jogou com as coxas.

Eu terminei o primeiro jogo em um dia, o segundo em dois, e coincidentemente o terceiro em três. Eu joguei despreparada para escrever sobre, apenas pela pura diversão que eu sabia que ia ter, mas decidi que eu sei o suficiente sobre, ao menos, esses três primeiros jogos para falar sobre eles.

Ao longo dos anos eu percebi que, pra quem nunca jogou Crash, talvez não seja uma franquia muito chamativa. Afinal, superficialmente, o que Crash tem? É só mais um platformer comum, não é mesmo? Sim e não, e vamos falar sobre isso.

Crash é o exemplo aperfeiçoado de platforming simples e direto, com desafios muito, bem, desafiadores, mas proporcionalmente justos. O primeiro jogo é a porta de entrada perfeita, e mostra o ápice da gameplay de plataforma da franquia, e também o que tem de melhor desse gênero tão importante no mundo dos jogos. No primeiro jogo, Crash só pode pular e girar, seu método de ataque. Com um moveset tão simples, sem poder atirar, dar dash, planar ou coisa parecida, não parece um jogo muito atrativo, não é mesmo? A maioria das pessoas na verdade discordaria, porque Crash é muito famoso e muito aclamado por um motivo.

Crash Bandicoot começa com o simples objetivo de fazer um jogo de plataforma bom. Com controles simples, física bem feita e mecânicas fáceis de compreender, Crash estreia como um jogo de plataforma perfeito. Até hoje, o primeiro é uma das melhores entradas da franquia e do próprio PlayStation 1 (meu console favorito). É um jogo bastante desafiador que usa as suas mecânicas simples ao máximo, com seções velozes baseadas em timing (como qualquer jogo de plataforma) e desafios muito justos.

O que faz Crash interessante é que, ao morrer, Crash retorna bem perto de onde você morreu. Aliado a isso, está o sistema de vidas, que te dá muitas e muitas delas sem parar se você fizer o mínimo do mínimo de esforço para pegar as muitas caixas e frutas que estiverem no seu caminho. Isso permite que Crash seja muito mais difícil do que o normal, porque você pode falhar muitas e muitas vezes, e sempre que o fizer, vai retornar de um ponto relativamente próximo ao desafio.

Essa ideia simples faz Crash uma das experiências mais divertidas e rápidas que você pode ter. As fases, pequenas ou grandes, são dinâmicas e interessantes, sempre trazendo algo novo para a já conhecida e amada gameplay de plataforma da franquia e, por extensão, do gênero. Só isso é o suficiente para criar um jogo muito original e criativo, embora mantenha o básico do gênero intacto. Se você gosta de jogos de plataforma, é muito provável que vai gostar de Crash, por dar exatamente o que você espera do gênero com muito polimento e conteúdo.

Embora o primeiro jogo seja platforming puro, já introduzia algumas fases diferentes, como autorunners em que Crash monta em um javali para passar rapidamente por obstáculos. Essa pequena ideia foi expandida nos outros dois jogos da trilogia original, onde nós somos rapidamente acostumados às fases gimmick que mudam os controles do Crash. No segundo jogo podíamos correr montados em um ursinho, escapar de minas navais com um jetski irado e voar pelo espaço com um jetpack. No jogo seguinte, podemos controlar mais jetskis, motocicletas, aviões, dinossauros e um Crash dentro d’água usando um traje de natação, além de, é claro, correr com outra montaria, dessa vez um tigre.

Essas três obras oferecem experiências diferentes que ainda vêm com os mesmos ideais. A qualidade nas seções de plataforma são constantes em todos os três, mas a cada um nós temos mais fases baseadas em diferentes veículos e outros personagens. Se você gosta de simples plataforma, todos os jogos são bons nisso, mas Crash 1 traz a experiência perfeita para pular rapidamente e se divertir com essa gameplay pura e simples. Agora se você acha divertido ter essas muitas diferentes formas de jogar (que são, na verdade, muito bem feitas), Crash 3 é um jogo incrível com suas ótimas ideias. Se você quer um bom balanceamento entre os dois, embora Crash 3 também seja balanceado, Crash 2 é perfeito para você.

Eu me encaixo em todos os três então gosto muito dos três jogos, e posso dizer que eles são muito bons no que fazem. Não só pular é muito divertido e bem construído, mas voar, dirigir e nadar constituem bastante do que muitas e muitas crianças lembram e amam sobre Crash Bandicoot, eu inclusa.

Apesar disso, as gimmicks nem de perto diminuíram os avanços no platforming de cada jogo. Crash 2 introduz um slide, high jump, ground pound (com a barriga) e mais algumas técnicas avançadas de movimentação usando essas habilidades. Crash 3 traz essas e mais outras incríveis habilidades para nosso protagonista, incluindo um double jump e um giro mais avançado que permite ao Crash a possibilidade de planar no ar. Essas mudanças trazem um ar novo e avanços para cada jogo novo da franquia, e embora eu gostaria de ter mais fases de plataforma em Crash 3, me divirto muito com essas habilidades incríveis, o level design impecável e as ideias maravilhosas que fizeram essa franquia melhorar minha infância.

Também vale mencionar que Crash é um perfeito exemplo do potencial do seu console, com o terceiro jogo sendo facilmente um dos jogos mais bonitos da plataforma. Também é uma prova de que Crash não precisava de um remake para ser relançado, porque os gráficos são e sempre vão ser incríveis, enquanto a gameplay não envelheceu nadinha.

A música de Crash é insanamente boa, especialmente no segundo jogo, e é extremamente característica da franquia e do universo que ela criou. Universo esse que é na verdade muito interessante e que, similar a Sonic, expressa o conflito da natureza com tecnologia super avançada. Um cientista malvado contra animais e essas coisas, mas o importante é a estética muito original e criativa que Crash estabeleceu, principalmente por ter um protagonista que é um pouquinho maluco.

Na verdade, esse texto já teria terminado há um tempo atrás, mas eu descobri que é aniversário do Crash na data que eu to escrevendo ele, então resolvi estender um pouco. Enfim, essa trilogia original marcou minha vida profundamente, e como eu só tava de passagem pelos três jogos, resolvi que ia escrever algo e saiu esse texto. Espero que tenham gostado, obrigada e boa noite.

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