Huge Adventure – Uma extensão competente de Crash em 2D

Assim como seu amigo Spyro, Crash teve uma leva de jogos lançados para o Game Boy Advance. A proposta desses títulos era recriar a jogabilidade icônica e divertida do PlayStation 1 em hardware mais limitado, tentando oferecer a experiência com qualidade mais próxima possível da trilogia original. Eu diria que os resultados, para o Crash, não foram ruins. Essa franquia tem gameplay simples, e mesmo nos jogos 3D existem muitas seções de plataforma 2D, então um jogo do Crash em pixel art sidescroller não parece uma ideia muito longe de casa.

A história da criação desses jogos não é tão interessante e não é pra isso que estão aqui mesmo. Huge Adventure é o primeiro de um número razoável de jogos do Crash para GBA, e esse título já vem com as muitas ideias diferentes dos três primeiros Crash. Visualmente, é um jogo bastante feio. Ele usa a ideia já bem conhecida de pegar modelos 3D e transformá-los em pixel art, trazendo um aspecto “realista” de três dimensões em uma aventura 2D. Alguns jogos fazem isso bem, outros não, e Huge Adventure se enquadra no segundo grupo. Ainda assim, não é um nojo para os olhos e dá para se acostumar. A trilha sonora do jogo também não é muito impressionante, e as músicas repetem bastante. Apesar disso, algumas músicas ainda são bem cativantes e ficam na sua cabeça.

O importante, no entanto, é como é jogar Crash em um GBA. Nosso protagonista tem as mesmas habilidades iniciais de Crash 2, que também é como ele começa no terceiro jogo. E após cada chefe, ele ganha uma habilidade nova, todas retiradas do 3 também, exceto pela bazuca que só não aparece aqui. Huge Adventure puxa ideias de todos os três primeiros Crash, e utiliza elas muito bem em um ambiente totalmente em 2D.

O design das fases do jogo é majoritariamente inspirada em Crash 2 – fases longas, poucas gimmicks, platforming constante. Mas puxa muito do primeiro título do marsupial, por ser um jogo bastante difícil com seu foco total em pular. Mesmo que, em 20 fases, uma parte sejam fases de nadar ou voar, você vai passar 90% do jogo apenas pulando em fases de plataforma desafiadoras, que por si só, são muito longas.

Caso você tenha jogado os três primeiros e quer alguma coisa parecida com eles, jogue Wrath of Cortex (PS2), mas se não quiser, esse jogo traz algumas ideias novas. Não são ideias novas como desafios totalmente diferentes, é algo mais sutil. Comparado com os três primeiros jogos, esse é o mais difícil. O posicionamento dos checkpoints e o level design 100% em 2D permitem que ele seja muito mais desafiador do que estamos acostumados em relação a trilogia original. Ainda assim, é bastante justo, e embora você possa se irritar com checkpoints muito afastados de vez em quando, todo desafio pode facilmente ser memorizado e sua habilidade vai prevalecer no final.

Nesse jogo, você pode morrer tanto quanto no primeiro, mas aqui é um pouquinho pior porque ele te dá bem menos vidas que o primeiro. Em Crash 1 era extremamente fácil chegar até 99 vidas, mas no 2 e 3 isso já se tornou mais difícil, porque agora o jogo disponibilizava menos vidas, na medida você morria menos. Assim, o maior que você teria de vidas disponíveis normalmente era 30 vidas. Isso se manteve em Huge Adventure, um jogo que você morre bem mais que nesses outros dois.

Eu consegui não ter nenhum game over, mas isso foi por muito esforço e tentando recolher o máximo que eu podia de frutas enquanto guardava as vidas que eu tinha. Huge Adventure de fato faz você economizar e se preocupar com suas vidas mesmo que pegue toda caixa que você ver, algo que só acontece na trilogia quando você decide ignorar as frutinhas.

Mesmo que o jogo não traga muitas ideias novas de desafios e seções de plataforma, normalmente apenas reciclando dos jogos anteriores, você nunca sente que está experienciando a mesma coisa que nos outros três. Huge Adventure parece, de certa forma, uma DLC dos jogos originais, uma extensão, sendo um bom sucessor em level design sem realmente inovar em nada. É uma aventura interessante comparada com os outros jogos, porque mesmo sem trazer algo novo para a mesa, consegue ser diferente e divertido.

O único problema do jogo é a falta da personalidade única de cada jogo de Crash desde o primeiro, que fazia deles memoráveis e marcavam nossas infâncias. Esse jogo não é nada tão especial comparado a eles, mas para algumas crianças que só tinham o portátil da Nintendo, é uma ótima maneira de se divertir com a franquia. Obrigada pela leitura.

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