The Nightmare Before Christmas – O aterrorizante Rei das Abóboras

The Nightmare Before Christmas é um dos meus filmes favoritos no mundo. O “porquê”, no entanto, não é tão simples de explicar. Eu gostaria de fazer um longo e trabalhado ensaio sobre esse filme, e por que é o melhor que Disney lançou, mas eu não conseguiria. O que faz a aventura do Jack especial não é uma ideia revolucionária ou uma mensagem. Dos pés a cabeça, essa é uma obra extremamente simples. É uma animação infantil, e não vai muito além disso.

Essa é uma história que dura pouco mais de uma hora, e em tão pouco tempo apresenta um universo como nenhum outro. Na superfície, é fácil notar como esse é um filme diferente dos outros, desde seu visual até sua premissa. Mas o encantador sobre ele é a maneira simples e prática que utiliza para apresentar seus conceitos e imergir crianças ou adultos em um enredo emocional e fácil de entender. Também não é como se as pessoas chorassem com a história dele, porque não chega a esse ponto, mas por uma série de razões, é uma experiência cativante e divertida desde seu primeiro minuto até o último.

Nós somos apresentados a esse mundo com uma canção legendária falando sobre tudo que precisamos saber sobre a Cidade do Halloween. Uma característica infinitamente notável sobre esse filme é que sua originalidade estética faz com que ele seja muito reconhecível e referenciável. Desde as estruturas das casas tortas e deformadas até o design inteligente de cada um dos seus monstros, NBC tem uma personalidade como nenhum outro filme. Na verdade, é fácil perceber enquanto “This Is Halloween” toca que, acima de um filme da Disney, ele é Nightmare Before Christmas.

A música inicial pode ser bastante encantadora e única, mas ela também faz um ótimo trabalho em ambientar as crianças nesse mundo. Ao invés de assustador, mesmo com a arte bizarra de um filme do Tim Burton, esse é um mundo legal. Crianças não tem medo de Halloween Town, esse lugar é o próprio conceito de “estilo”. E, no fim dessa música, somos apresentados a nosso maior exemplo de estilo e humanidade no filme, Jack Skellington.

Eu poderia desperdiçar alguns minutos do seu tempo meticulosamente analisando a maneira maravilhosa que nos apresentam a esse protagonista, o Rei das Abóboras, o monstro mais assustador da cidade, mas não é necessário. Tudo que preciso dizer é que em apenas um minuto conhecemos nosso protagonista e sabemos que ele é o maior de todos. O visual desse esqueleto é inesquecível, mas muito impressionante na primeira vez que o vimos. Jack só possui duas cores, preto e branco, em um contraste perfeito que serve para auxiliar a enigmática estética gótica do filme. Seus membros longos e finos fazem com que ele seja um personagem extremamente fácil de animar, além de muito expressivo. Na animação, Jack vai pular e fazer as mais variadas poses, enquanto usa seu corpo como maior forma de expressão. Mas o que vende o design do personagem é seu rosto.

O rosto de Jack é apenas um círculo, com grandes cavidades no lugar dos olhos, buraquinhos para um nariz e uma boca que parece costurada, embora seja claramente ossos. É importante mencionar que esse é um rosto muito memorável e fácil para qualquer criança descrever, mas acima de tudo, é uma face extremamente amigável. Jack como um todo é muito legal e completamente estiloso, mas o rosto dele é fofo. Foi uma ideia incrível fazer com que o monstro mais assustador seja ele, porque por vezes ele mostra que de fato pode dar medo mas em geral, é só um cara legal e muito simpático. Isso faz com que qualquer criança goste dele, e qualquer adulto consiga entendê-lo. Ele não é um cara mal, e mesmo que cometa erros no filme, Jack é seu amigo, que dá sustos por diversão.

Agora, voltando para o filme como um todo, nós acabamos de ser apresentados para 95% dos personagens e suas diferentes personalidades puderam ser bem vistas, exceto por Jack e Sally, que vão ser apresentados agora. Em uma curta cena de interações entre os personagens com Jack Esqueleto, chegamos na segunda música da obra, que mais uma vez é impressionante. É claro, eu poderia falar sobre a qualidade das músicas e etc, só que não é esse o intuito agora.

“Jack’s Lament” é a nossa apresentação mais profunda ao personagem que acabamos de conhecer, quem ele é de verdade. Em questão de três minutos, essa música mostra todos os detalhes de Jack Skellington que ainda não conhecemos. Ele é um esqueleto triste, cansado da sua vida monótona que, para ele, perdeu o sentido. Jack perdeu de vista o que o faz ser o Rei das Abóboras, e ele não consegue mais se sentir “vivo”. O filme mal deu dez minutos e com duas músicas maravilhosas já sabemos quem vamos acompanhar durante o enredo, conhecemos sua personalidade, seus sentimentos e suas motivações, ao mesmo tempo que somos apresentados a relação silenciosa que ele possui com Sally.

Jack procura um propósito, ele quer se sentir Jack Skellington de novo, e com isso, ele parte para a floresta sozinho (quase). Tem um grande contraste de sentimentos entre os primeiros cinco minutos, e agora esses cinco minutos. A animação ensurdecedora dos monstros em um Halloween feliz e estiloso, agora quebrada pela melancolia depressiva do monstro mais importante da cidade. Não precisamos de mais nada para saber que tipo de filme esse vai ser.

Uma importante parte desse filme é que ele é com certeza muito divertido. Esses primeiros dez minutos já são maravilhosos, mas daqui para frente o mundo e os personagens se estendem de uma forma natural em cenas muito carismáticas que conseguem passar bem a história sem consumir muito tempo. Esse enredo dura exatamente o tanto que precisava durar, e não parece que falta algo ou tem alguma coisa em uma dose maior do que o necessário. Um diálogo de um minuto é suficiente para apresentar personagens e suas relações, e isso é perfeito para um filme infantil. Isso não é algo exatamente só de Nightmare Before Christmas, até porque muitas outras animações da Disney tomam esses mesmos rumos para contar suas histórias, e isso é algo que precisa ser aplaudido, embora seja comum.

E é agora que Nightmare Before Christmas realmente dá as caras. Jack andou pela floresta enquanto dormia, e chegou em um lugar completamente novo. Desenhos estranhos em árvores em um círculo, mas um específico de uma árvore brilhante chama a atenção do esqueleto. Se aproximando, descobre que é uma porta e essa porta o puxa para dentro. Jack agora entrou em um mundo novo. A Cidade do Natal. E mais uma música icônica começa.

“What’s This?” é uma das canções mais importantes apresentadas pela obra, e é aqui que todo o enredo começa de verdade. Neve, luzes, felicidade, presentes, crianças brincando, músicas fofinhas. Tudo é novo e estranho para Jack, mas impressionantemente, ele se sente bem. Tudo é interessante, tudo é bonito, os brilhos da cidade constrastam o preto e branco de Jack das maneiras mais perfeitas enquanto o esqueleto canta sobre os sentimentos bons e quentinhos que ele tem vendo toda essa terra dos sonhos. Jack não é mais o Rei das Abóboras, temido por todos, mas uma criança feliz descobrindo a magia do Natal. Jack nunca se sentiu tão bem, ainda mais em algo que é tão diferente do que ele viveu sua vida toda. O vazio que ele sentia se preencheu, tudo que ele quer é sentir essa felicidade para sempre.

E logo após essa ótima demonstração de personalidade, Jack retorna para a cidade com muitas lembranças e surpresas para mostrar aos seus companheiros. Somos então apresentados a mais uma música, uma das melhores. Acho que é bom mencionar como esse filme conta sua história perfeitamente e desenvolve o enredo usando canções, algo que embora Disney faça em todo filme, aqui é especialmente notável. Afinal, a maior parte do filme são músicas, e todas elas são indispensáveis para a história.

“Town Meeting Song” expressa a descoberta de todos na cidade sobre o natal. Jack tenta mostrar para todos os outros monstros a beleza da Cidade do Natal, algo que para eles é impossível. Felicidade, todo esse brilho, brinquedos inofensivos e tradições bonitinhas não são algo normal para essas pessoas, e Jack falha em representar a alegria que ele sentiu para todas essas pessoas, mas ele não pode desistir. É então que ele decide dar a eles o que eles querem.

Embora ver o esqueleto feliz e contente seja muito fofo, algo importante a ser tirado do resto da música é que ele não se torna mais convincente apenas para os monstros, mas para o telespectador. Jack cria uma história assustadora sobre o governante da Cidade do Natal, e enquanto ele conta essa história não tem como negar que ele ficou muito mais legal. A explicação, embora mentirosa, é muito mais interessante e comovente, Jack é muito melhor para assustar e falar sobre horror do que felicidade e brilho, porque ele é o Rei das Abóboras, o mestre do terror. Justamente por isso, ver todos animados após a ideia ser passada deixa ele um pouco triste. Ninguém conseguiu entender a felicidade que ele sentiu, o sentimento especial da Terra do Natal que preencheu o vazio da sua alma. Ainda assim, ele convenceu os monstros a tentarem criar seu próprio natal, e isso é suficiente para ele no momento.

Nas cenas seguintes, Jack se dispõe a tentar explicar de maneira racional e lógica o que é o Natal, e o que são os sentimentos que ele sentiu. Para criar o natal perfeito, Jack começa experimentos que, na verdade, não fazem sentido. É na verdade bastante esperado que um monstro tente achar uma explicação razoável para algo tão mágico e bonito, ainda mais para conseguir convencer seus conterrâneos dessa enigmática felicidade interior. Após interações bonitinhas com Sally e Jack, a boneca de pano tem uma visão sobre o natal, vendo uma árvore enfeitada pegando fogo. Então começa mais uma música.

“Jack’s Obsession” começa como uma extensão do que eu já disse, Jack estuda o Natal. Mas nosso protagonista passa dia e noite incessantemente pensando sobre isso, tentando descobrir o que essa data significa. Leu todos os livros sobre isso, conhece todas as músicas e rimas, todos os brinquedos e práticas, mas ainda não consegue explicar o que o Natal significa. Então, ele tem uma revelação, e isso muda tudo. Jack decide que, na verdade, não existe um segredo, e é muito mais simples do que parece. “Como música no ar, invisível mas em todo lugar”.

Na verdade, Jack nunca achou uma resposta. A coreografia da cena, com os enfeites quebrando e Jack cada vez mais assustador indicam algo simples. Ele perdeu completamente a essência de felicidade, na verdade, isso não importa para ele mais. Jack quer esse sentimento que ele teve para si, não importa como foi criado. E, para isso, ele segue apenas sua própria natureza, ele é o Rei das Abóboras.

“And why should they have all the fun? It should belong to anyone!
Not anyone in fact, but me! Why, I could make a Christmas tree!
And there’s no reason I can find I couldn’t handle Christmas time,
I bet I could improve it too! And that’s exactly what I’ll do!”

Terminando essa fala, Jack cria uma cadeira elétrica com luzes natalinas, então abre a janela e diz “Eureka! Eu consegui! Esse ano o Natal será nosso!”, então, acho que deu pra ver como ele mudou desde “What’s This?”, né? Uma coisa importante a dizer é que, embora Jack não seja completamente mal-intencionado, todos os problemas que vão acontecer são culpa dele. Por inveja do Natal, seu egoísmo fez com que ele mesmo resolvesse assumí-lo, sem nem saber o que significa. Ele vai fazer o Natal do seu próprio jeito pelo único motivo singular de que ele quer ter o Natal. E ele vai criar esse Natal segundo a visão do Rei das Abóboras, Jack Skellington, e não da criança maravilhada que ele foi há alguns dias.

Esse é um ponto que eu amo de paixão sobre o filme. Jack é falho, e nessa exata música, ele se torna quase que um vilão. Roubar o Natal não é algo que ele vai fazer para dar felicidade a todas as crianças, mas para si mesmo e os outros monstros. É claro, ele não sabe as consequências desses atos e não pode prever o que vai acontecer daqui para frente (em teoria, porque a Sally pôde), ainda assim, tudo que ele fez foi apenas porque queria algo especial para si mesmo. Se ia trazer felicidade para mais alguém, seria apenas uma consequência. Jack é um protagonista maravilhoso e uma pessoa muito boa, mas a humanidade na caracterização do personagem criou uma incrível reviravolta nos eventos do filme e desde agora nós sabemos que tudo vai dar errado, e a culpa é completamente de Jack Skellington.

Antes de continuarmos, só realmente me impressiona muito como cada música tem um papel extremamente importante na história dessa animação. Nós nem vimos a melhor música do filme ainda, ainda tem muito mais composições maravilhosas esperando em um filme que nem chegou na metade ainda, e eu já enchi cinco páginas sobre ele.

E agora, Jack dá para cada um dos monstros uma tarefa especial na criação do Natal deles, e deu para três crianças uma missão muito importante. Essas três crianças são lacaios do Bicho Papão, e agora chegou o momento dele ser propriamente apresentado. Nightmare Before Christmas tem um vilão, e não é Jack. Alguém mal-intencionado e maldoso, uma pessoa terrível e assustadora de uma maneira ruim. Embora a próxima música não seja sobre ele, podemos dar uma pequena olhada em quem essa pessoa é.

“Kidnap The Sandy Claws” é exatamente o que o título diz. Ah, eu esqueci de apresentar Sandy Claws! Talvez você tenha percebido mas é assim que eles chamam o Papai Noel (Santa Claus), e na dublagem ele é chamado de Papai Cruel… a não ser que você tenha assistido a primeira dublagem, onde fica muito difícil escutar isso. Essa música é muito interessante e traz de volta o sentimento legal de monstros do início do filme, mas agora de uma maneira malévola. Não são mais sustos por diversão, são vilões de verdade planejando o sequestro (e, por vezes, assassinato) do Papai Noel, a fim de trazê-lo para o Jack. Nessa música incrível, somos apresentados não só ao Bicho Papão, mas Lock, Shock e Barrel, e a sua dinâmica muito interessante. A música inteirinha são muitas ideias dessas três crianças das maneiras mais cruéis de torturar o Papai Noel (e vamos voltar nisso mais tarde), e isso é muito, muito cativante e… honestamente, bem divertido de ver, embora perturbador.

Na cena seguinte, Jack continua dando tarefas para os monstros, até que chega em Sally. Sally foi requisitada para costurar a roupa de Papai Noel do Jack, e com isso, ela tentou avisar o esqueleto da sua visão terrível, mas não foi dada ouvidos. Essa era a chance de parar tudo, mas Jack tem determinação e muita confiança na sua ideia para escutar qualquer pessoa.

“Making Christmas” é a próxima canção na lista, e embora não seja uma das melhores, adiciona alguns detalhes interessantes na narrativa. Os monstros estão preparando o Natal, com seus próprios brinquedos e atrações, e embora suas ideias sejam bizarras e perturbadoras, nenhum deles faz por mal. Eles acham que estão fazendo uma coisa boa, e dando seu melhor para criar um Natal divertido. Mas é fácil perder esse significado vendo seus rostos diabólicos enquanto põem as coisas mais perigosas e assustadoras dentro de uma caixa de presentes. Sabe, essas pessoas não tem exatamente uma noção do que estão fazendo, e guiados por Jack estão cometendo um erro terrível. Uma das cenas mais perturbadoras do filme é criada por causa desses presentes que os monstros montaram, e pela primeira vez, vidas estão de fato em risco. Jack, supervisionando tudo isso, só fica cada vez mais animado e contente. Ninguém percebe o erro que estão cometendo, ainda mais com a afirmação de Jack Skellington de que tudo está perfeito com seus gritinhos meio gays sobre o Natal. Temos também algumas rápidas aparições da Cidade do Natal, criando o Natal verdadeiro, inofensivo e alegre que todos esperam esse ano. Esse filme faz um ótimo trabalho em constrastar seus diferentes temas tão opostos, porque de um lado você vê um ursinho bonitinho e do outro, uma cobra gigante engolindo um zumbi (ele ainda tá vivo). É interessante como só agora o filme começou a dar medo de verdade, nos momentos que eles estão, ironicamente, falando sobre o Natal. E agora estamos chegando em um dos momentos que melhor concretiza esse sentimento de fato assustador.

As crianças conseguiram sequestrar o Papai Noel, Jack deu a ele boas vindas rápidas e calorosas – deixando ele em um saco de lixo após roubar seu gorro vermelho. Interessantemente, Jack começou a acreditar na sua própria fanfic sobre o Papai Cruel, e ficou impressionado ao ver que o bom velhinho era só um velhinho, sem garras ou dentes afiados. O esqueleto deixou Noel com as crianças, que decidiram levar ele para o Bicho Papão. E agora, um dos maiores bangers que a Disney lançou, e uma das melhores músicas de vilões também:

“Oogie Boogie’s Song” é um espetáculo visual e sonoro, uma conversa entre o Bicho Papão e o Papai Noel, enquanto o primeiro pensa em muitas maneiras de torturar o segundo até a morte. Jazz, cores escuras, um clima de cassino em meio ao inferno. Oogie brinca com a vida do velhinho em jogos mortais que ele nunca poderia perder. Vidas estão em jogo, mas não a dele, é claro. Papai Noel tenta trazer razão e seus bons ensinamentos, enquanto Papão ri e zomba de cada um de seus atos nobres. Porque o bom velhinho não sabe onde se meteu e ainda não percebeu que é seu último dia na terra.

Essa música é ainda mais aterrorizante prestando atenção no Bicho Papão, feliz e sorridente preparando as mil e uma maneiras de assassinar o Papai Noel enquanto brinca com ele. Esse é um vilão aterrorizante, e infelizmente no filme a música não faz completamente jus a ele. No entanto, a versão oficial dela é muito maior e mais legal, no sentido “legal” que eu falava no início. O Bicho Papão não só dá medo, ele é estiloso e muito interessante. E, provavelmente, tudo isso é graças ao dublador maravilhoso por traz desse saco de insetos, que não podia ter dado mais vida para esse personagem.

Na cena seguinte a essa, o Natal vai começar, e Jack vai subir aos céus no seu trenó. Para tentar impedir tudo de dar errado, Sally cria uma densa névoa, fazendo com que as renas esqueleto não possam enxergar. O Natal quase foi perdido, até que Zero, o cachorrinho fantasma, revela que seu nariz brilha e pode guiar as renas pela névoa. O destino foi selado. O trenó levantou voo, o Natal da Cidade do Halloween começou.

A boca dela
é muito expressiva

“Sally’s Song” é uma das músicas mais icônicas do filme, e realmente me faz pensar por que eles não pensaram em nomes melhores para algumas delas. Sally canta sobre sua óbvia preocupação com seu amigo, e o que sente por ele. Eu consigo me relacionar muito fácil com personagens assim, mas não tenho certeza se os sentimentos de amor que ela tem estão no momento certo da história. Quer dizer, agora a preocupação maior é o que de tão ruim vai acontecer, então talvez esse monólogo sobre sentimentos devesse ter vindo antes, ou talvez, depois em uma certa cena. Porém, ainda é uma música maravilhosa que, embora não 100% necessária, expressa de uma maneira muito mais objetiva quem Sally é, mesmo que já conhecêssemos ela bem a esse ponto. Ela também, por algum motivo, começa a ser animada de um jeito muito bonito da metade do filme para frente, muito disso acredito que é pelo esforço nas suas expressões faciais, que são bem detalhadas em comparação com qualquer outro personagem.

Chegamos então a uma das melhores cenas de todas. Jack está entregando os presentes pelo mundo. A primeira criança tem uma pequena conversa com Jack, e recebe seu presente do próprio “Papai Noel”. Quando Jack sobe pela chaminé com seu “Ho ho ho” muito característico (ele faz “Hee hee hee” logo após), os pais do menino aparecem para ver o que seu filho ganhou. Ele retira da sua caixa de presentes uma cabeça decapitada. Cada casa recebe um presente especial, mas não são brinquedos que dão medo. Cada um dos presentes são perigosos, e podem matar alguém. Serpentes gigantes, morcegos vampiros, patinhos de borracha assassinos, crocodilos. A polícia é acionada, e o governo começa a tomar providências. Os monstros assistem enquanto o mundo todo entra em desespero com o esqueleto impostor deixando armadilhas mortais na casa das pessoas. Eles estão felizes, pois acham que é isso mesmo que Jack queria, mas não escutaram a parte que os militares estão se mobilizando para acabar com o criminoso de vestes vermelhas (o Papai Noel Jack, isso não é uma alegoria política).

O exército encontra Jack voando no céu e começa seu ataque. Deu pra perceber como as coisas ficaram absurdas? Eles estão atirando no protagonista com mísseis, tentando matá-lo. Enquanto isso, Sally tenta salvar o Papai Noel para salvar o Natal e seu amigo. Jack então percebe que está sendo caçado e tenta fugir, mas seu trenó é acertado em cheio por um dos mísseis. “Feliz Natal para todos, e a todos uma boa noite!”, diz Jack, enquanto cai pelo céu, aparentemente, para sua morte. A cidade do Halloween entra em uma enorme depressão vendo Jack ser explodido nos céus, enquanto todas as crianças do mundo choram porque o Natal foi cancelado, e ninguém sabe onde está o Papai Noel. E, finalmente, minha cena favorita no filme inteiro.

Poor Jack

O Natal foi destruído, o sonho de Jack caiu aos pedaços e o mundo todo está melancólico. Jack caiu em um cemitério, de onde ele pode escutar os policiais relatando seus atos. É quando ele começa a cantar a melhor música de Nightmare Before Christmas.

“What have I done…? What have I done…?”

O esqueleto percebe  as consequências dos seus atos. A culpa acaba com seu coração que entra em uma terrível tristeza. Jack não tem mais coragem de aparecer para as pessoas, ou talvez não sinta que mereça voltar. É tudo culpa dele. Uma música triste e negativa, sobre o peso de suas ações e ação de desistir de tudo. Ao menos, é o que parece…

“But I never intended all this madness, never… and nobody really understood, well, how could they!?
That all I ever wanted was to bring them something great!
Why does nothing ever turn out like it should!?”

Jack se levanta e começa a cantar com toda sua emoção. Essa experiência que levou ao desastre foi uma tentativa de fazer algo especial, não interessa se talvez não estivesse pensando na felicidade de todos. Jack imaginou que o que fazia era o certo e, na verdade, ele nunca se sentiu tão vivo.

“Well, what the heck!? I went and did my best!
And by God I really tasted something swell!
And for a moment, why, I even touched the sky!
And at least I left some stories they can tell, I did!”

Ele fez algo novo, diferente, e a consequência dos seus atos até agora não foram tão ruins. Embora podia ter acontecido, ninguém morreu… ainda! E ele não pode mentir, na verdade, foi uma experiência incrível para ele e para seus companheiros. Não é como se Jack não se sentisse mal ou não soubesse que estragou tudo, mas não vale a pena se depreciar por isso, não é assim que as coisas devem terminar. É quando ele diz: “And for the first time since, I don’t remember when, I felt just like my old bony self again… and I, Jack, the Pumpkin King…”

“That’s right! I AM THE PUMPKIN KING! HAHAHAHA!!”

Ele encontrou o que procurava, o vazio se preencheu, e Jack finalmente percebeu quem ele realmente é. É interessante que por um momento ele completamente esquece de tudo, especialmente o Natal, e foca apenas nas suas novas ideias para o Halloween enquanto dança pelo cemitério com sua expressão diabólica, até que ele finalmente recobra sua consciência, e percebe que ainda pode consertar tudo. Jack é um personagem incrível.

Ele não é perfeito, e suas ações durante essa música não são completamente louváveis. Mas ele é um homem que conseguiu se levantar no seu pior momento e percebeu quem é de verdade. Ele está finalmente feliz de novo, sem nenhuma motivação ruim por trás. Ele é o Rei das Abóboras de novo, e essa revelação acabou ocupando a mente dele completamente. Ele podia continuar se depreciando por suas ações mas ele decidiu não fazer isso, e agora vai fazer o possível para consertar seus erros, mesmo que isso não faça eles sumirem completamente. Jack é nosso protagonista de novo. Todo mundo comete erros, Jack vai corrigí-los.

Isso nos leva ao final do filme. O Rei das Abóboras corre até a casa do Bicho Papão para salvar o Papai Noel e Sally, em uma boss fight meio curta mas interessante. Não tem socos ou chutes, mas é uma luta, e Jack vence por descosturar Oogie e jogar todos os seus milhões de insetos na lava, aparentemente matando ele. Quer dizer, provavelmente no cânone do filme ele morreu para sempre, mas não vai ser a última vez que vamos vê-lo.

“Finale – Reprise” é a última música de The Nightmare Before Christmas. Um final feliz para todos! O Papai Noel traz seu Natal verdadeiro para os monstros na Cidade do Halloween, que aproveitam a neve e alegria, enquanto todos cantam uma música que reúne as melodias mais marcantes do filme. O filme completou uma hora e dez minutos, e esse Finale também é bastante curto, mas realiza tudo que precisava para terminar. Jack e Sally se encontram no cemitério branco de neve para ver as estrelas, e com um beijo na frente da lua cheia, Nightmare Before Christmas chega ao seu fim.

O filme tem uma mensagem marcante? Personagens complexos e profundos? Uma história completamente original que mudaria sua vida? Bem, não. Mas nem todo filme precisa ser assim. Essa animação faz o seu melhor para contar um enredo muito bem feito em um curto tempo, reunindo o que tem de melhor em cada aspecto do mesmo.

É uma ideia conceitualmente interessante e divertida, que foi levada para o cinema com perspicaz cuidado. Essa é uma obra simplesmente icônica e inesquecível que marcou o mundo, embora seja apenas um filme muito simples. É uma ideia maravilhosa bem executada.

Embora o escopo da história seja pequeno e por vezes bastante isolado, The Nightmare Before Christmas apresenta um universo próprio muito interessante que pode ser facilmente extendido. Ao menos… deveria ter sido. A personalidade dos visuais e personagens já foram levadas ao extremo no filme, mas seu lançamento criou a oportunidade de expandir esses conceitos. Jogos, livros, qualquer coisa. Embora, de fato, NBC não tenha ficado no porão para sempre, existem poucas coisas realmente notáveis sobre ele, o que é uma pena. No entanto, existem algumas coisas muito interessantes para se falar sobre.

Como vocês sabem, meu foco são jogos, é o que eu consigo analisar melhor. E, embora seja pouco, existem dois jogos desse filme e os dois são muito, muito interessantes (tem também um de navegador que não vale a pena jogar). Na verdade eu nem tinha nos meus planos falar sobre a animação por si só, isso apenas ocorreu. Eu espero que tenham se divertido, e saibam que logo mais irei cobrir esses jogos, já que essa é minha obra favorita da Disney. Espero que tenham uma boa noite, até a próxima.

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