Legacy of Darkness – O melhor Castlevania que ninguém jogou

De todos os Castlevanias, Legacy of Darkness (ou apenas Castlevania 64) é um dos mais ignorados pela comunidade. Superficialmente ele não é muito atraente, e quem tenta jogá-lo se afasta pelos seus controles e movimentação difíceis de se acostumar. Por isso é pouco lembrado em discussões, e raramente é elogiado. De fato, essa é uma aventura bastante diferente de qualquer outro jogo da franquia, então talvez não agrade a grande massa dos fãs de Castlevania que podem ter vindo por jogos como Aria of Sorrow ou Symphony of the Night. Eu sempre tive interesse por ele pela sua estética e por ser facilmente acessível com um computador, mesmo um ruim como o meu. Além de que, esse jogo sempre me deu muito medo quando eu era uma criança, e hoje entendo perfeitamente o porquê.

Esse é o único Castlevania com um foco tão forte em terror. É uma obra muito experimental que traz várias novidades para a franquia, muitas coisas que foram pensadas antes de Symphony of the Night executá-las. Embora siga a fórmula antiga de progressão dos jogos clássicos, em que você joga uma série de fases até chegar ao final, a gameplay dessa aventura é algo completamente diferente. De certo modo, se assemelha aos metroidvanias na parte de exploração, mas não é um. Esse jogo tem uma clara inspiração no gênero survival horror, em especial Resident Evil, e um pouco de jogos de aventura como Tomb Raider.

Desde sua ambientação até trilha sonora, gráficos ou cenários, esse é o mais perto de “terror” que Castlevania chegou, embora a franquia seja inspirada em filmes de terror desde o início da sua vida. Hoje eu quero apresentar um dos títulos mais especiais e interessantes em uma franquia tão grande como essa, que traz uma experiência criativa e amedrontadora de um modo que até hoje nunca foi replicado em outro Castlevania. Hoje vamos falar de Castlevania 64.

Castlevania: Legacy of Darkness 

Antes de começarmos, vamos esclarecer uma coisa. Estamos falando sobre “Legacy of Darkness” hoje e não, propriamente, Castlevania 64. Acontece que os dois são o mesmo jogo, mas Legacy of Darkness traz duas campanhas adicionais, melhorias na câmera e algumas roupinhas para os personagens. Ainda é “Castlevania 64”, mas com uma espécie de “DLC” ou update da época. Se resolverem jogar, eu recomendo ou ir pelo próprio 64, ou conseguir um save ou cheat para liberar todos os personagens. Vai por mim, jogar primeiro com Reinhardt ou Carrie é o ideal.

Agora, precisamos propriamente introduzir a gameplay e nossos personagens. Gostaria de mostrar um controle de Nintendo 64 para vocês a fim de que fique mais fácil visualizar os controles. A é o botão de pulo, e B usa seu ataque mais forte, que também é considerado ataque primário e tem longo alcance. Pelo posicionamento dos “C-Buttons” do controle, os desenvolvedores optaram por fazer amplo uso dos mesmos. O C-Button inferior é utilizado para lançar sub-armas, enquanto o esquerdo usa seu ataque secundário de curto alcance mais rápido que o primário. Interagir com portas e pegar itens são ações dadas ao C-Button direito, enquanto o superior muda seus modos de câmera entre Ação (segue o jogador) e Batalha (afastada e precisa ser movimentada pelo jogador). Por vezes, também existe um modo Automático e de Chefe, que aparecem em lugares scriptados.

No R você reposiciona a câmera no seu personagem, o botão Z que fica atrás do controle é usado para se abaixar, que também executa uma rasteira. L é apenas usado pelo Cornell para se transformar, enquanto os direcionais controlam a câmera e a afasta ou aproxima. Agora vamos apresentar os personagens.

Em Legacy of Darkness, você é forçado a jogar com Cornell e então, Henry para desbloquear os personagens principais do jogo que são Reinhardt e Carrie. Isso foi feito para que os jogadores que experienciaram Castlevania 64 fossem automaticamente lançados no conteúdo novo ao comprar Legacy of Darkness, mas para quem começa por essa versão, infelizmente não é a melhor maneira de apresentar a aventura. A história do Cornell é bastante simplificada, com muito menos história, puzzles piores e sem muitos elementos de terror. Henry é uma espécie de campanha “Arcade”, que pode ser terminada em uma hora e você pode tentar ir mais rápido a cada tentativa por ser bastante curta. Baseado nos seus esforços na campanha dele, você desbloqueia as outras coisas do jogo, como as roupas secundárias, personagens e um modo Difícil. Vamos falar sobre os personagens e as diferenças das suas campanhas.

Reinhardt Schneider

Reinhardt Schneider é o caçador de vampiros do jogo. É um decendente da família Belmont e possui o chicote Vampire Killer. Seus ataques com o chicote são rápidos e possuem bom alcance. É um personagem muito forte, e sua campanha é a “padrão”. Durante a história, Reinhardt estabelece um relacionamento com a personagem “Rosa”, que é apenas um dos personagens secundários para Carrie.

Castlevania: Legacy of Darkness 
Carrie Fernandez

Carrie Fernandez é uma descendente do clã Belnades e uma maga muito habilidosa mesmo que seja uma criança. É o personagem mais difícil de utilizar, dando muito pouco dano, tendo dificuldades em combates. No entanto, é uma máquina contra chefes por poder destruí-los de longe usando seus tiros carregados. Jogar com ela é ter certeza de aprender a usar o ataque secundário de curto alcance, e buscar cristais para ter sempre subarmas em mãos. Sua história é focada em destruir Actrise, uma vampira que matou a própria filha para atingir um maior nível de poder. Ambos Reinhardt e Carrie são ligados a Malus, uma criança que encontram na Mansão, quarta fase do jogo. Pelo que parece, Reinhardt e Carrie viajam juntos e exploram o castelo juntos, embora se separem por umas duas áreas, mas em nenhum momento isso é evidenciad. Carrie nunca vê Reinhardt, e Reinhardt não vê Carrie. Isso é meio triste honestamente.

Cornell

Cornell é um lobisomem, o protagonista de Legacy of Darkness, e sua campanha acontece antes de todas como um prólogo. Ele busca por salvar sua irmã Ada das mãos dos servos de Dracula, que buscam usá-la para reviver o conde. Cornell funciona bem parecido com Reinhardt, sendo um personagem bastante básico. Mas sua campanha, diferente dos protagonistas do 64, não tem muitos elementos de survival horror. Sem muitas cutscenes e puzzles mais simples e mais simples, Cornell possui a história menos interessante, embora seja bastante longa. Seu prólogo também não impacta muito a história original, apenas adiciona alguns pequenos detalhes, então seria melhor se ele fosse o personagem desbloqueável.

Henry Oldrey

Henry Oldrey é um personagem da história do Cornell, uma criança salva por ele na mansão. Quando cresce, retorna ao Castelo do Dracula para salvar as crianças sequestradas. Essa história é outro ponto de vista para os eventos do jogo, onde Henry salva as crianças que Reinhardt não conheceu na sua campanha, mas estavam lá. Henry é o mais forte de todos, por usar uma arma de fogo. Além de muito dano, Henry pode atacar rapidamente com longo alcance enquanto anda. Sua campanha é baseada em salvar seis crianças espalhadas por um número limitado de fases. Ele tem sete dias para isso, mas se os sete dias terminarem, o jogo ainda vai ser terminado com o tanto de crianças resgatadas. Acontece que cada criança resgatada é um desbloqueável, então seria bom achar todas.

Uma coisa muito interessante sobre o nome dos personagens é que em revistas da época foi revelado que Castlevania 64 pretendia ter quatro personagens, Schneider Belmont, Carrie Fernandez, Cornell e Coller (monstro do Frankenstein que virou um inimigo no jogo, mas seu gameplay era o mesmo do Henry). O nome “Schneider Belmont” eradado a Reinhardt na época, até que alguém falou pros devs que Schneider é um sobrenome. “Reinhardt” veio de um personagem chamado Reinhardt Cornell, quando alguém falou pros devs que Cornell é um nome e não sobrenome. Cornell não tinha entrado no jogo original, mas voltou no Legacy of Darkness apenas chamado de “Cornell”. O nome “Belmont” foi jogado fora.

Depois de apresentar esses conceitos, vamos para a gameplay. A gameplay faz um balanço entre platforming e puzzles de maneira intrigante, com uma pitada única de exploração. O design das fases às vezes pode ser apenas de um jogo de plataforma comum, mas também é muito normal em Castlevania 64 em que elas são simplesmente lugares realistas. Villa ou Castle Center são duas áreas baseadas apenas em ser lugares que você acreditaria serem reais, e nessas duas a progressão é bastante similar a um survival horror como Resident Evil. Por vezes, até os puzzles são apenas achar uma chave ou partes de um emblema para abrir uma porta, ou resolver um puzzle cuja resposta se encontra em um documento ou escritos em uma estátua.

Castlevania: Legacy of Darkness 

Acontece que esse jogo preza por manter uma atmosfera, por vezes de um filme de ação com temática de terror, ou apenas de um filme de terror com cenas de ação. Mesmo em estágios com foco em platforming, no momento que você entra nele (com Reinhardt ou Carrie, os protagonistas) você vai ver uma cutscene medonha apresentando seu novo inimigo de um jeito que vai te assustar, único para cada monstro. Mesmo que esse monstro se torne bastante comum, nesse primeiro momento ele deu um calafrio no jogador e no próprio personagem.

Na verdade, o que faz esse não ser um jogo de terror é o poder do seu protagonista, que por ser de Castlevania, é bastante forte e vai enfrentar muitos monstros de uma vez só na sua jornada. Mesmo que tenham seções bem difíceis, o que vende os monstros é a apresentação e atmosfera da aventura, mas eles são facilmente vencidos pelo poder de um Belmont, então o medo não dura muito tempo. Ainda assim, não existe outro título de Castlevania que traga esse medo tão vivo mesmo que dure pouco, e tem uma fase que passa esse sentimento do início ao fim. Essa é Villa, a quarta (ou terceira já que a primeira é só um tutorialzinho).

Assim que você chega nos portões da mansão, você é recebido por um leve susto enquanto é atacado por uns sete cérberos. Após vencê-los você pode prosseguir para um pequeno quintal, com uma fonte no meio e algumas lápides em volta. Algumas você pode ler, outras não. Entrando pela porta principal, a atmosfera misteriosa da mansão paira no ar, com a música Annex — Silent Madness. Embora com a Carrie seja a mesma coisa, vou narrar a história usando Reinhardt. O caçador sobe as escadas da mansão quando é interrompido por um som alto. Olhando em sua volta, percebe algo rapidamente escalando as paredes e então, aparecendo em sua frente. Um vampiro, com o design perturbador desse jogo. Esse susto inicial foi ótimo para a apresentação do monstro, mas ele não é muito forte.

Charlie Vincent

Ao subir e entrar pela única porta, você passa por um corredor e acaba em um jardim de rosas, muito bonito e misterioso. Seguindo em frente, algumas escadas, levando a um corredor com grandes janelas e muitas portas. A primeira porta a sua esquerda leva a um quarto que, embora bonito, está vazio, mas possui uma porta. Assim que Reinhardt tenta abri-la, uma figura misteriosa aparece apontando uma cruz para ele. Esse é Charlie Vincent, outro caçador de vampiros que também pretende enfrentar Dracula, como você. Depois de um rápido diálogo, se tentar conversar com ele, Vincent vai dizer que avistou uma linda moça cuidando das flores do jardim ao amanhecer. Isso significa que entre as 3 e as 6 horas da manhã, no jardim das rosas, vai chegar uma mulher misteriosa. Essa é sua pista de como prosseguir.

Rosa

Entrando no jardim nesse horário, a moça aparece. Ela pede licença pois precisa cuidar das rosas brancas, o que é um enigma diferente já que todas são vermelhas. Ao regar, Reinhardt percebe que as gotas de água são vermelhas, o que é obviamente sangue. “Você… é um vampiro?”, diz Reinhardt, chocado. Essa mulher se chama Rosa, e ela vai ser muito importante no futuro. Ela fala para Reinhardt fugir enquanto pode, e ela vai fingir que não o viu. Rein retruca dizendo que está determinado a matar Dracula, e diante dessa resposta, Rosa diz para ele ir até a sala dos arquivos, mas que a chave já foi levada por outro aventureiro. O único ser humano na casa agora além de você é Vincent, então você volta até onde ele está, subindo as escadas e entrando no quarto. O bobinho do Vincent dá a chave a Reinhardt, porque diz que não acha que ela vai ser importante. Assim, essa chave será usada na última porta do corredor, que você pode facilmente chegar após lutar com alguns demônios de vidro que saem das janelas do lugar.

Castlevania: Legacy of Darkness 

Assim que você entra em uma sala de jantar, um homem desesperado aparece e fecha a porta rapidamente, gritando por socorro dizendo que este é o castelo do inferno, e que Reinhardt deve correr enquanto pode. Rein julga que este homem é um aldeão que se perdeu e chegou até aqui pela floresta. No silêncio, uma pequena rosa cai no chão atrás de Reinhardt, de um vaso de flores. Ao olhar para trás, o caçador se depara com um grande espelho, e ao olhar para ele, não vê nada, apenas a si mesmo. O aldeão não está no espelho. Reinhardt olha assustado por um tempo e o clima fica muito pesado, até que um monstro horroroso com muito sangue na sua boca pula na câmera (no Reinhardt). O protagonista desvia rolando para o lado, e quando se levanta, vê outro vampiro. Mais uma luta fácil, mas você acabou de sair de uma das cutscenes mais assustadoras do jogo, então já valeu a experiência. Após vencê-lo você pode entrar na sala dos arquivos, e lá, encontra uma chave para o “Jardim”.

Castlevania: Legacy of Darkness 
Renon

Aparentemente, existe outro jardim além daquele das rosas. Ele pode ser encontrado em mais uma porta no corredor, em duas, na verdade. Passando por qualquer uma das duas, uma porta dourada e maior está a sua frente, que te leva para algumas escadas. Descendo-as, Reinhardt vê no chão um pequeno pergaminho, uma longa folha de papel enrolada. Ele escuta às suas costas a voz de um homem, que então aparece e se apresenta como um dêmonio chamado Renon, mas inofensivo, que está aqui apenas para conseguir dinheiro vendendo itens para os aventureiros do castelo. “É preciso ouro mesmo no inferno esses dias.”, diz Renon, antes de sumir. Esse é um vendedor que vai te ajudar muito, mas cuidado com o tanto que você compra dele.

Malus

Na porta ao seu lado, você encontra o jardim, com um portão trancado que você já tem a chave. Ao seu lado, umas estátuas estranhas de cães feiosos porque é uma mansão de horrores de qualquer forma. Explorando o jardim, não demora muito até você passar por uma ponte e entrar em um arco em forma de porta, onde Reinhardt vai perceber a presença de outra pessoa. Um menino chamado Malus, que diz ter sido sequestrado junto de outras crianças. Seus pais foram mortos pelos demônios. Sua conversa é rapidamente interrompida por dois cães, exatamente os que estavam guardando o portão como estátuas, então Malus foge. Esses cachorros são muito mais rápidos que você. Não dá para fugir deles, você precisa atacá-los. Correndo atrás de Malus você entra em uma porta e para em outro lugar do jardim. Você sabe que os cachorros estão te perseguindo e continua correndo, mas um som de motor começa a ecoar pelo jardim. Tem algo a mais, junto dos cães, vindo atrás de você.

Coller, antigo design
do jardineiro que o
representa muito bem

Não tem como você não ver ele. Esse é o “jardineiro”. Um monstro gigante com uma serra elétrica que pode aniquilar a vida do seu personagem em só dois ataques. Agora, você foge desse gigante, que é o próprio monstro do Frankenstein, ao lado dos dois cachorros. Se os cachorros te pegarem, e eles provavelmente vão, acabam por imobilizar Reinhardt por um tempo enquanto o mordem, e nesse tempo, o monstro, que também é rápido, chega ao seu protagonista para cortá-lo em pedaços. Essa é uma das partes mais desesperadoras do jogo, quando você é perseguido por monstros que não podem morrer não importa o que você faça, e tudo que dá para fazer é atacá-los até que caiam, e aproveitar a oportunidade para fugir, o que apenas os atrasa antes de voltarem a te alcançar. Você precisa achar um caminho por um labirinto, seguindo a voz de Malus até a saída. Acreditem, não tem como dar mais medo que isso.

Castlevania: Legacy of Darkness 

Assim que você finalmente chega na saída, entrando por uma porta ao lado de Malus, você consegue ver um portão à sua esquerda que leva para fora da mansão. Reinhardt não pode tomar esse caminho, porque isso o levaria para longe do castelo, então ele diz para Malus fugir por aí, enquanto ele mesmo continua a explorar a mansão. Ao se separar de Malus, você olha para a direita e vê um longo corredor, ainda cercado pelos grandes arbustos do labirinto, e com o som dos cachorros rosnando e o motor da serra elétrica do outro lado. Andando pelo corredor você pode quebrar algumas velas, e em uma estará uma chave de cobre. Ao pegá-la, no Hard Mode, o monstro e seus câes pulam de dentro dos arbustos, e uma boss fight começa, obviamente com a música assustadora dos chefes do jogo. Mesmo quando você os vence e eles caem, o corpo não some como os outros monstros. Eles não se levantam mais, então metade dos jogadores pensariam que eles estão mortos, e a outra metade teria certeza que eles vão voltar. Se você continuar o corredor, vai acabar passando por um portão, e dentro de uma porta, uma sala. Você está de volta na mansão, e pode salvar agora.

De volta no hall principal, você pode ter a certeza que explorou todas as portas dessa casa, mas não o labirinto no jardim já que estava apenas fugindo. Você tem uma chave, então deve haver uma porta ainda lá para ser encontrada. É a hora de voltar para o inferno. Se você for pelo caminho que acabou de chegar, vai perceber que o corpo do monstro e dos cachorros não estão mais ali. É sua confirmação de que tem algo errado. Assim que você passar pela porta que entrou com Malus, talvez você imediatamente escute o som do motor. Neste momento, você não tem mais Malus para te guiar, e precisa passar pelo desespero e o intenso sufoco de explorar o labirinto sem ajuda enquanto foge dessas criaturas. Quando finalmente encontra a porta de cobre que a chave abre, você entra em um pequeno laguinho. Ainda escuta o som do motor, mas parece que não há monstros aqui, embora nada impeça deles acabarem aparecendo de algum lugar. Indo para a direita você volta à terra firme e passa por uma ponte, para então chegar a um ponto de save, que é sua confirmação de que a perseguição acabou. Abrindo uma porta, Reinhardt se encontra em uma cripta que, ao explorar rapidamente descendo as escadas, chegará a uma grande sala assustadora, com um caixão no final.

Ao se aproximar do caixão, Reinhardt percebe que está vazio. Então, atrás dele, você escuta sons estranhos como se carne estivesse sendo mastigada. Olhando em volta, Reinhardt não percebe nada. Até que algo cai do teto. O corpo morto de uma mulher. É assim que você vê o vampiro ali em cima, que então vem para atacá-lo. Após vencer a luta, o vampiro cai no chão e queima até a morte. Quando você pensa que acabou, a mulher que foi morta levanta, revelando que se tornou um vampiro, e ela é mais forte do que o que você acabou de matar. Após vencê-la também, Reinhardt percebe que o fundo do caixão era falso, e um jinglezinho perturbador toca para dizer que uma passagem secreta foi descoberta. Assim, a quarta fase, Villa, terminou.

Esse jogo é fantástico. O pior é que Cornell também passa por aqui, mas não é presenteado por qualquer cutscene e tem uma progressão muito mais chata e menos detalhada do lugar. A história original do 64 com Reinhardt e Carrie é muito mais divertida e bem feita, porque tem muito mais cuidado colocado em suas fases. Todos os níveis conseguem ser muito diferentes um do outro, tanto em progressão quanto em puzzles ou combate. De certa forma, Villa é uma introdução para Castlevania 64, embora não tenha platforming algum em um jogo de plataforma. Ela mostra perfeitamente como esse é um título diferente de qualquer outro na franquia, e realmente é uma aventura que merece sua atenção.

Castlevania: Legacy of Darkness 

Pelo resto do jogo você vai encontrar mais momentos com progressão como essa, em áreas misteriosas e atmosféricas, que podem mudar drasticamente a gameplay com seu level design. Essa é na verdade uma aventura muito cinematográfica, e é um exemplo velho de como fazer isso acontecer em videogames. É um título repleto de boss fights, platforming que faz parecer um filme de ação, puzzles que pintam perfeitamente a ambientação dos seus locais únicos, e uma exploração absurdamente recompensadora com itens para você se curar quando precisar, upgrades para sua arma, subarmas para se defender e dinheiro para gastar com o demônio Renon, com moderação.

A câmera não é tão horrorosa quanto todo mundo diz, especialmente no Legacy of Darkness onde você tem muito controle sobre ela. Os controles, embora não sejam perfeitos, estão no jogo certo, já que o level design foi pensado para eles (então não precisa ter medo!). Por vezes o combate pode não parecer muito complicado, mas essa é uma aventura que sabe como criar um desafio diferente e único de diversas maneiras, então pode ter certeza que sempre tem algo preparado para você.

Castlevania 64 é um dos melhores títulos da franquia, mas é amplamente ignorado por não ser muito atraente à primeira vista. Não garanto que todo mundo acabe gostando dele quando jogar, mas que vale a pena a experiência, vale. É um jogo pelo qual tenho muito respeito e carinho, mesmo que só tenha terminado ele (cinco vezes, com todos os personagens e no Hard Mode) recentemente. Obrigada pela atenção, e espero que aproveitem o halloween esse ano. Ainda tem muito mais textos como esse vindo neste mês de outubro. Boa noite!

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