Matrix, Sonho e Ignorância

Matrix é um filme de ficção científica e ação, lançado no cinema em 1999. Foi, e ainda é, um dos filmes mais famosos e elogiados, assim como um dos mais influentes, pelas suas ideias originais e questionamentos bem introduzidos e cinematicamente interessantes. Mas, isso são coisas que todo mundo sabe, não? Eu estaria batendo na mesma tecla que outras pessoas já bateram, ao fazer uma análise de um filme tão famoso? Talvez sim. Na verdade, surgiu a ideia de ver esse filme de um exercício de filosofia. Eu precisaria responder uma questão, baseada em Matrix. Mas, o exercício foi mais um empurrãozinho, para que eu assistisse um filme que já queria há um tempo. Esse é o tipo de coisa que gosto de ver. Posso não ser o maior dos cinéfilos, mas esse tipo de enredo e ideias me interessa muito, então eu “dei uma chance”, embora já esperasse que fosse um filme muito bom. Mas, é mesmo? Spoiler: É sim. De fato, não haveria motivos para fazer uma análise, se não tivesse achado que precisasse. Acredito que sempre há mais alguma coisa a tirar de um filme como esse, e é isso que vou tentar dessa vez. Rosie aqui, depois de um longo período entre minha última análise e essa, voltando a postar, dessa vez sobre um dos melhores filmes que já assisti.

Matrix

Mas, sobre o que é “Matrix”?

Matrix, como já mencionado, é um filme de ficção científica e ação. O filme conta a história de um homem prestes a desistir de sua vida, pois não vê sentido nela, e como esse homem descobriu a verdade. Acredito que nessa análise alguns spoilers serão mencionados, mas é meio difícil analisar esse filme sem isso. A verdade, a qual me refiro, é que vivemos em um mundo falso, um programa, e o mundo real é um lugar onde nós, humanos, perdemos para inteligência artificial. No mundo real, no ano de 2199, as máquinas cultivam humanos para gerar energia para si mesmas, enquanto nós vivemos em uma falsa era, no final dos anos 90. O protagonista, Thomas Anderson, o “Neo”, é uma pessoa, a única pessoa, capaz de libertar a mente das pessoas e salvar o mundo real. Ele é convidado por Morpheus a juntar-se a uma resistência contra esse mundo falso, chamado de “Matrix”, e o domínio dos agentes sobre as pessoas. Com o início da história em mente, acho que já posso começar a análise.

A Pílula Azul

Antes de entrar na parte que achei mais importante, que seria a história como um todo, gostaria de me manter na parte mais “superficial” do filme (embora não acho que seja uma parte superficial, apenas não é a “mensagem profunda do filme” ainda). O filme começa com códigos na tela, e duas pessoas conversando sobre coisas que a primeira vista você não entende, para então cortar para uma cena de perseguição, de uma mulher usando roupas pretas que aparentemente tem poderes sobre-humanos. Temos então uma primeira vista a como seriam as cenas de ação do filme, que embora não seja seu grande diferencial, faziam parte do seu foco. Devo dizer que essa primeira cena não representa nada da qualidade das cenas de ação do filme, pois pelo menos as cenas em que Trinity luta nesse início não são tão boas, e são meio estranhas, trazendo mais um aspecto de época em que as lutas eram sempre dessa maneira, quanto algum diferencial importante que destaque o filme entre outros no quesito ação. Nesse momento, coloquei na cabeça que era melhor tentar focar em outros aspectos, pois nada esperava de bom da parte de ação, seja coreografia ou efeitos especiais. Engano meu. Na verdade, isso é algo que percebi nesse filme, ele normalmente passa uma primeira impressão errada superficialmente, mas apenas olhando um pouco mais a fundo você percebe originalidade. Nessa primeira cena, muitas das qualidades de direção e coreografia podem estar ausentes, mas eu digo que estão ali, subjetivamente, e que mais pra frente no filme ganham presença sólida. Posso exemplificar isso pelos jogos de câmera interessante, ou as cenas em que o tempo para de uma maneira dinâmica, embora ainda estranha, e que a perseguição em si, quando não está ocorrendo realmente alguma luta, é muito bem feita e, como não conheço a personagem sendo perseguida, não tenho como ter certeza se ela vai ser pega ou não, o que é muito bom em climatizar uma cena desesperadora, embora o fato de eu não conhecer ela ainda significa que, se ela for pega, não vai ter tanto significado.

Como mencionado, a direção é muito boa, e continua sendo pelo resto do filme. As cenas tem impacto, e os ângulos de câmera às vezes costumam ser bem originais (um exemplo sendo a cena em que Morpheus contacta Neo no trabalho, como a câmera se movimenta e os ângulos que tomam são extremamente originais e climáticos, e eu fiquei bastante impressionado com um corte entre um ângulo de câmera e outro nessa cena). A importância da direção em um filme de ação é muito grande, mas precisa ser ainda melhor, pois é um filme que quer subjetivamente transmitir uma mensagem, e ao mesmo tempo quer manter seu enredo, que é um pouquinho complicado, fácil de ser entendido. Confundir não é o que o filme quer, ele apenas quer mostrar algo, você procurar entender algo mais embaixo disso não é necessário para entender o filme, mas entender a mensagem que ele passa (ou, melhor, interpretar ela) faz dele um filme melhor, e nenhuma dessas qualidades podem ser conseguidas com uma direção meia boca.

Um fator muito importante a ser elogiado é como a história é contada. Ela prefere ser contada em detalhes, com as cenas, personagens, diálogos e situações, assim como a espetacular direção, revelando detalhes que naturalmente se completam na mente do telespectador e revelam o que a história quer dizer. Não é um conceito original, muitas coisas fazem isso, mas é um conceito difícil de ser aplicado com maestria, e é exatamente isso que Matrix faz, conseguindo criar uma história muito boa e original, e ainda conseguir explicar ela de uma maneira que não seja maçante, mas que seja interessante e dinâmica, se tornando muito mais divertido de assistir, e satisfatório de compreender (porque embora não seja um filme confuso em enredo, faz bem você perceber que conseguiu entender o filme sem uma explicação direta, já que essa foi o rumo que o filme decidiu tomar).

Também gostaria de apontar, mais uma vez, para como a direção passa o sentimento de drama e desespero, que muitas cenas, grande parte delas, tentam passar pelo filme. Ele expressa muito bem os sentimentos que quer passar em seus detalhes, e nunca falha em fazer isso. Além de criar tensão, essas cenas servem para construir os personagens entre si, e para si mesmos, assim como construir o nosso entendimento, e nossa simpatia pelos personagens. Ver o protagonista em uma situação de medo, onde ele precisa fazer algo arriscado mas não acredita em si mesmo causa bastante tensão, mas causa muita simpatia com o personagem, especialmente após ele simplesmente desistir porque diz que não consegue, e resolve ir pelo caminho mais perigoso – embora mais fácil, “perdendo” para os vilões já de início.

Esse parágrafo de agora, digo que podem ignorar, pois eu gostaria de fazer pequenos elogios à incrível dublagem brasileira feita pelo estúdio Delart Rio, conhecido por muitos já que é normalmente mencionado no início dos filmes que dubla. As vozes encaixam perfeitamente bem, a atuação é fenomenal, e são muito boas de ouvir. O dublador do Morpheus, Márcio Simões, é um dos meus preferidos, a voz não só se encaixa muito bem, como toda cena do Morpheus se tornou ainda melhor para mim, não só por eu gostar muito do personagem, mas pela voz do Will Smith nele. Recomendo assistirem dublado, pois é muito difícil uma dublagem (ou legenda) passar a mesma mensagem que o filme em inglês queria passar, em um filme desse tipo, e a dublagem conseguiu manter tudo muito bem. As falas são muito boas, e não foi dublado apenas para ter em português, você percebe que a dublagem foi escrita e dirigida com carinho. Também recomendo ela justamente pelo ótimo trabalho de dublagem que o nosso país faz.

O próximo “ponto superficial” a ser elogiado, seria a incrível trilha sonora. Grande parte das músicas, eu não baixaria no celular para ficar ouvindo ou teria no Spotify, e uma parte delas não passa de músicas de filme de ação genéricas. No entanto, não é isso que quero dizer. De novo, estou batendo na mesma tecla (espero que a expressão não sature), mas passar um sentimento e expressar uma emoção, criando ela no seu telespectador é muito complicado. Acredito que essa trilha sonora entra na parte da espetacular direção. Além disso, a trilha é muito original, e em certo ponto do filme, eu comecei a realmente gostar como música. Algumas cenas, sem trilha sonora, não teriam metade do impacto, como a cena em que Morpheus se solta das correntes que o prendiam a uma cadeira pelo final do filme, que eu acho que foi uma cena incrível graças a direção e trilha sonora. Música é um dos fatores mais relativos a se analisar, mas eu recomendo tentarem escutar uma playlist no YouTube das músicas do filme, algumas são muito boas e merecem elogios, embora eu ainda não passaria o dia escutando porque não foi para isso que elas foram feitas.

Eu tô enrolando demais com essa parte Pílula Azul, então as últimas duas coisas: Primeiro, o design de tudo que é futurista e tecnológico faz sentido e embora seja bem cyberpunk, muitas coisas eu consigo ver existindo, e outras, apenas são muito legais. E segundo, a atuação é ótima, especialmente por parte do Keanu Reeves, que muita gente ama e eu acho que com razão, é um ator tremendamente bom (e muito bonito também).

Agora, chega de ficar enrolando. Digo que o filme passa mensagens e mensagens e mensagens e etc, mas qual a mensagem? Qual a história? O filme é só um compilado de ideias com boa direção? Eis aqui a pílula vermelha.

A Pílula Vermelha

Eis aqui, a parte onde o filme realmente começa, e se consolida como magnífico. Digo que, sem essa parte, de história e sua mensagem, tudo que mencionei até agora seria apenas potencial perdido, e não seria um filme que eu gostaria, talvez não fosse nem um filme tão bom assim. Agora, vou deixar de lado a direção, e a parte técnica, e focar no que é mais profundo em Matrix.

A primeira parte realmente impactante da história de Matrix é, para mim, o protagonista. O protagonista, Neo, é um programador de uma grande empresa, mas vive uma vida dupla, e nessa segunda vida, ele é um dos maiores criminosos tecnológicos dos tempos atuais, cometendo a maior parte dos crimes cibernéticos, senão todos eles. Invasão, contrabando, hackear sites, nada é realmente um limite para ele. No entanto, ele não é uma pessoa feliz, não está satisfeito com sua vida, e já não vê mais sentido no que faz. O personagem é um personagem realista, e facilmente relacionável, de modo que faça a história parecer mais real e palpável, com um protagonista que é fácil de se identificar e entender. As ações que toma, como reage às situações que são apresentadas, são todas muito bem escritas, e é bonito ver um personagem assim. Ver ele desistindo na primeira cena de ação que ele participa foi bastante impactante para se relacionar com ele, como já mencionado, e eu valorizo muito esse tipo de coisa, pois também cria mais impacto no desenvolvimento e crescimento do personagem, pois em um certo momento que ele precisa fazer uma decisão, ele quase fugiu outra vez, mas refletiu sobre e viu que com a vida que leva, o que ele poderia perder?

Gostaria de dizer o mesmo, no entanto para os outros personagens, porque a maioria é bastante superficial, sendo interessantes, mas não profundos ou bem desenvolvidos, com algumas exceções. Morpheus é um bom personagem, e quando a visão que temos dele, que ele é o mais confiável, e mais sábio, e que sempre tem razão, é quebrada, ele se torna um personagem melhor por não ser centralizado em apenas um aspecto. Ele perde lutas, e tem muitos momentos de extrema, e realmente extrema, fragilidade. Ele se enganou sobre algumas coisas grandes, mas o engano dele acabou criando maior desenvolvimento no Neo e etc. Mas não posso dizer o mesmo dos outros personagens por inteiro. Acho Trinity um ótimo personagem, e bastante profundo, mas não digo o mesmo do Mouse, nem do Apoc, Tank e etc, mas gosto de todos eles.

Mas, afinal, qual a mensagem? Realmente, a mensagem. O filme apresenta um questionamento original e criativo sobre realidade, que embora seja simples, é muito bem usado. Questionando o que é real, o filme pede para que questionemos o que vemos como verdade. A primeira vista, é um bom tema para ficção científica, mas como esse sentimento pode ser aplicado na vida real? Já chego lá.

O filme apresenta uma filosofia de cativeiro, e limitação da mente, em que os humanos tem uma visão limitada de como o mundo realmente é. Nessa análise, vou citar algumas vezes um filósofo que admiro bastante, Zhuangzi (que, sim, eu conheci por Persona 1, não sou tão cult assim). Em uma das suas frases, ele menciona que o sapo que passou a vida toda dentro de um pequeno lago, não faz ideia da existência do oceano. Em outras palavras, naturalmente os humanos em Matrix (e, em alguns aspectos subjetivos, da vida real) acabam limitando a si mesmos e vivendo em completa ignorância, sem saber do mundo maior que os cerca. Enquanto todos os humanos vivem em uma simulação perfeita dos anos 90, o mundo real acontece em 2199, onde já praticamente não existe mais um mundo.

Uma vez li um texto, sobre um mundo onde um super computador dava todas as respostas e fazia tudo por todas as pessoas. Mas, um menino, pergunta ao pai uma resposta de uma questão simples de matemática, e ao invés de responder, o pai diz para que o menino pergunte ao computador. O computador dá a resposta certa, mas o menino questiona que, se todos nós sabemos que é a resposta certa porque o computador disse, como sabemos que ele não mentiu? Mouse, em uma cena, pergunta como pode ter certeza se o gosto de flocos de milho é realmente flocos de milho, e não aveia ou atum? Ou o frango? É a informação transmitida para nós (no contexto do filme), dentro da Matrix por um programa, e pela nossa mente, mas como sabemos se é isso mesmo? Apenas acreditamos que flocos de milho são flocos de milho, e vamos ignorar se for feijão ou aspargo, porque nós não sabemos disso.

Esse é um fundamento importante que gostaria de deixar claro: Duvidar de si mesmos e do que sabemos não é ficção científica, é maturidade, é crescimento, sair do lago e descobrir o oceano não é dizer que o mundo é muito grande, é dizer que nós somos apenas um, e o que sabemos é o conhecimento de uma pessoa, não é absoluto de maneira alguma, e questionar o que nós vemos como verdade ou mentira, certo ou errado, não é nada mais que um passo necessário para nosso crescimento como pessoas, ao menos, em minha opinião.

No entanto, há um outro pensamento abordado no filme, que eu achei quase tão profundo quanto, senão mais. A frase que Cypher cita no filme, e que todos nós conhecemos. “A ignorância é uma benção”. De fato, em Matrix, é abordado uma visão diferente em relação ao que ocorre nesse universo. Seria mesmo tão ruim viver em um mundo que não é real? Comer boa comida, trabalhar, estudar, jogar, assistir animes, as partes boas e ruins da vida, você jogaria tudo fora por saber a verdade sobre o mundo, e começar a viver em um futuro sem esperança? Morpheus também menciona que as pessoas da Matrix podem ser considerados inimigos, mas inimigos inocentes, porque também vão tentar defender o seu mundo e sua realidade, porque ninguém quer abdicar dessa realidade, por outra dez vezes pior. De novo, Zhuangzi tem uma frase que expressa bem essa situação:

“Há um tempo, eu, Zhuang Zu, tive um sonho. Um sonho, em que eu era uma borboleta. Flutuando, para cima e para baixo, uma verossímil borboleta, aproveitando a forma que eu tinha ao máximo que a ela era permitido, sem ter ideia de que eu era Zhuang Zu. Subitamente acordei, e voltei a quem eu era, o verossímil Zhuang Zu. Agora, eu não tenho certeza se sou um homem, que sonhou ser uma borboleta, ou se sou uma borboleta, que sonha ser um homem.”

A mesma frase pode ser dita em outras palavras pelo próprio Morpheus:

“Já teve um sonho que parecesse realidade, Neo? Se nunca acordasse desse sonho, como saberia a diferença entre o mundo dos sonhos e o mundo real?”

Pois o que é real, é extremamente relativo em qualquer situação, variando dependendo da situação e do conhecimento de quem vê. Obviamente, como alguém normal, não acredito que nosso mundo é falso, mas sei que em muitas situações, é de se pensar o que seria realmente real. Se eu vivesse em um sonho por toda a eternidade, para mim, seria a vida real. Uma frase muito, muito conhecida, diz “penso, logo existo”, de René Descartes, também pode ser aplicada nessa situação. Dessa forma, o mundo ser real ou não, se existimos nele, é nossa realidade. Ou, se vemos o mundo e as pessoas de uma maneira, e essa não é a definitivamente verdadeira, para nós, é completamente verdade. O mesmo pode ser dito de crenças, ou traumas criados, ou apenas a maneira como vemos tudo, foram criadas na nossa mente e se tornaram para nós, a verdade, mas, lembrando, questionar a nossa realidade é o modo pelo qual conseguimos crescer.

Mas, não pense que as ideias em Matrix são apenas ideias bem feitas, elas são muito bem expressas nos diálogos e personagens realistas, mas elas são tanto usadas para meio filosófico quanto para detalhes diferentes, como a parte da ação. Se você está dentro de um programa, não é natural que ele possa se reprogramado? E é dessa forma realista que muitas cenas de ação em Matrix ocorrem, e as lutas entre os vilões e os protagonistas acabam sendo um jogo mental, em que os dois reprogramam as leis do universo para sua vantagem. Uma ideia original e muito bem feita, que embora tenha algumas coisas que podem acabar não fazendo sentido, é certamente passável, e dá para se divertir bastante.

Matrix é um filme que não só aborda de uma maneira filosófica, mas nos faz olhar para ele de outro modo. Mesmo que não mudemos nossa visão sobre o mundo real, o telespectador é jogado em situações onde é essencial que sua visão sobre o mundo do filme mude, para que ele consiga melhor entender o que acontece. Por exemplo, no mundo do filme um deja vu é um sinal que algo na programação foi alterada, representando uma pequena falha na Matrix. Ou, como personagens com poderes psíquicos e o Oráculo (inclusive, o Oráculo é um dos meus personagens favoritos) acabam se ligando a essa parte da programação. De fato, a cena do Oráculo é incrível, não só por ele em si, mas a criança que entorta uma colher sem tocar, e diz que, na verdade, ela apenas entortou na mente do protagonista ao olhar para ela. Ou, como o Oráculo diz “e não se preocupe com o vaso”, e o protagonista, confuso diz “que vaso?” enquanto procura por um, e ao se mexer, quebra o vaso. O oráculo então diz que, se ela não tivesse falado sobre o vaso, ele teria quebrado?

Outro ponto que defende a qualidade do filme em te fazer olhar para ele de outras maneiras, são os personagens e suas visões do mundo. Embora nem todos sejam tão profundos, cada um deles é interessante pelas interações que eles tem com o universo do filme, e a realidade que o filme defende. Mouse não é um personagem profundo, mas quando ele morreu, eu chorei, porque passei a gostar dele, e de como ele enxergava as coisas. “Negar os nossos instintos, é negar tudo aquilo que nos faz humanos” é uma frase que diz muito sobre o personagem, e criou uma boa conexão comigo, porque até isso tem uma boa mensagem por trás, e tornou-se uma frase icônica do filme. Outro exemplo é o personagem Cypher, com uma motivação completamente compreensível, um personagem interessante, e vilão por bons motivos. Talvez eu não tivesse a capacidade de trair todos, mas certamente concordaria com ele nos desejos que ele tem. Os vilões principais também levantam pontos bons que te fazem também olhar pela visão deles.

“Gostaria de lhe contar uma revelação que tive durante o meu tempo aqui. Ela ocorreu quando tentava classificar sua espécie e descobri que vocês não são realmente mamíferos. Todo mamífero deste planeta, instintivamente desenvolve um equilíbrio natural com o meio ambiente, mas os humanos não. Vocês vão para uma área e se multiplicam. Se multiplicam até que todas as reservas naturais sejam consumidas. A única forma de sobreviverem é mudando para uma outra área. Há um outro organismo nesse planeta que segue o mesmo padrão. Sabe o que é? Um vírus. Os seres humanos são um mal, um câncer nesse planeta, vocês são uma praga, e nós, somos a cura.”

Mas, dentro de todas essas coisas boas, há erros? É claro que há, nada é perfeito, mas digo que não são tão impactantes, por isso essa análise tem em grande parte elogios. Eu digo que, embora os personagens sejam interessantes, são extremamente superficiais, e o nível de profundidade do protagonista é algo que é quase exclusivo dele. O filme tem alguns plotholes, ou coisas que mesmo explicadas, ainda seriam meio chatas. A morte do protagonista, para então reviver, foi uma cena muito boa e emocionante, mas um clichê desnecessário. Alguns personagens e ideias poderiam ter mais participação, como todos os personagens que morreram da resistência, só Cypher teve algum desenvolvimento, o resto é só uma pequena ideia legal de personagem. E embora eu tenha dito que ache todos interessantes, não digo que Apoc e Switch são tão bons assim, apenas acabei gostando deles, mas acho Tank e Dozer, por exemplo, muito melhores. Os efeitos especiais nas lutas não envelheceram tão bem, nem alguns dos movimentos sobre-humanos ou cenas em que o tempo para. No entanto, tudo isso são problemas pequenos, que eu acabei percebendo, mas não me importando, por isso, tem essa pequena parte da análise focada nisso.

Nota final: 10/10.

Há, ainda, algumas outras coisas que anotei, e gostaria de mencionar, mas essa análise ficou muito longa. Matrix é perpetuamente um dos melhores filmes já criados, e influenciou muitas e muitas coisas, sendo um dos melhores do gênero ficção científica. Acho que disse tudo que tinha para dizer, termino então recomendando que vocês, amigos, tentem entender a mensagem de Matrix de sua maneira, e retirar o que conseguem entender de bom. Algumas coisas que entendi são essenciais e muito importantes.

Mas, no fim, isso tudo é apenas minha interpretação. Agradeço terem lido tudo isso, muito obrigado pela atenção.

Até, huggies from Rosie~

YOU’RE GONNA CARRY THAT WEIGHT.

(P.S.: Matrix foi inspirado no anime Serial Experiments Lain, que eu recomendo bastante. Também foi em Ghost in the Shell, mas esse não acho grande coisa).

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