Kingdom Hearts – Milagre da perfeição defeituosa

Durante os últimos meses, por conta de remédios, eu desenvolvi um forte sentimento de apatia. Nada mais me trazia prazer e eu não conseguia aproveitar mais nada. Logicamente, isso afeta minha possibilidade de jogar já que se eu não sinto prazer eu estaria jogando por obrigação, o que não faz sentido. Isso afetou minha vida negativamente de muitas formas, mas aparentemente eu já deveria estar percebendo melhora nesses últimos dias, mas eu precisava que alguma coisa me indicasse que eu tava melhorando porque eu não conseguia sentir. Foi aí que Kingdom Hearts salvou minha vida, basicamente.

Nesses últimos dias, Kingdom Hearts foi meu único assunto, foi tudo que eu me importei e tudo que mais me divertia. Eu estava sentindo diversão de novo, e vontade de continuar jogando. Subitamente eu não queria mais fechar o jogo depois de 20 minutos jogando, eu sempre queria mais. É um jogo que eu precisava, e eu aproveitei cada segundo. Mas, uma coisa é bem interessante sobre Kingdom Hearts. Enquanto eu amei completamente, de alguma forma, é um jogo que eu posso criticar em praticamente todas as ideias que ele teve. É engraçado mas esse jogo é naturalmente não muito “funcional”. Eu não falo sobre bugs, eu acho que não tive nenhum, mas cada pedacinho de design desse jogo tem algum erro que, por algum motivo… não incomodam?

São pequenas e grandes coisas que eu e qualquer pessoa faria diferente ao fazer um jogo, mas ao jogar Kingdom Hearts, acaba não fazendo nenhuma diferença. Então, mantenham em mente uma coisa bem clara. Esse foi um dos melhores que eu joguei em 2021, e foi o jogo que recuperou minha felicidade em jogar jogos. Por isso, eu estarei criticando ele nesse pequeno textinho (acabou meio grande…) puramente para apontar falhas, não pra dizer que o jogo é ruim. Apenas quero levantar um ponto interessante, onde um dos jogos mais falhos também é um dos mais perfeitos de alguma forma. Muitas das falhas serão nitpicks também, simplesmente porque eu quero ter uma boa quantidade de críticas aleatórias pra vocês entenderem de fato como isso funciona.

Fire!
Freeze!
Thunder!
Defense!

Vamos começar bem simples, dedicando alguns parágrafos para falar sobre combate. Combate é o foco de Kingdom Hearts, e foi feito para ser um turn based RPG mas em forma ativa, como se as mesmas ações de um jogo de turnos fossem realizados em tempo real. Por causa disso, suas ações são levemente limitadas em qualidade mas a quantidade é bem grande. Claro, limitadas em qualidade dependendo, porque como é um jogo de ação, algumas coisas são mais direto ao ponto. Por exemplo, o jogo raramente preza por diferenças elementais nas suas magias, ao invés disso, Fire é usado pra um inimigo, Blizzard é usado pra mais de um na sua frente, Thunder é usado pra acertar todos a sua volta. Aero não é uma magia ofensiva de vento, e sim um escudo de ar que diminui o dano que você recebe de ataques. Dito isso, o maior problema sobre esse sistema é que ele não é nada prático.

Vamos contar o número de ações que você pode tomar: Atacar, usar Fire, usar Blizzard, usar Thunder, usar Cure, usar Gravity, usar Stop, usar Aero, abrir o menu de Summons e, consequentemente, escolher os Summons, usar um de 3, 4 ou 5 itens, usar habilidades especiais. São bastante coisa, tem botão no controle pra tudo isso? Bem, pois é, não tem. O jogo faz isso com, literalmente, um menu. O tempo todo no jogo tem um menu no canto esquerdo inferior, com Attack, Magic, Items e então as habilidades especiais. Você mexe nele com o d-pad e analógico direito, então parece ser um sistema que funciona mas… não exatamente. Esse jogo é um Action RPG, as coisas não param quando você tá mexendo nesse menu. Não é só um action rpg, como é um action RPG difícil, rápido, e às vezes podem ter inimigos demais na área deixando meio caótico. Eu nunca usei Stop, nem Gravity, mesmo que todo mundo diga que são spells incríveis, porque demora 3 anos até que eu chegue em uma dessas no menu e até lá já não vale mais a pena ou eu tomei dano, e devo dizer, tomar dano em Kingdom Hearts são 3 facadas no estômago, o Sora é de vidro.

Dito isso, o jogo tem hotkeys, onde você pode setar 3 magias pra usar com L1 + algum botão do controle. O problema é que você tem 7 magias + os Summons e nesse jogo por algum motivo todas as magias são importantes de alguma forma. Esse é um jogo bem difícil, que você não pode zerar só usando as 3 magias elementais básicas e Cure, acreditem, eu tentei. Você precisa fazer bom uso das mecânicas e das ações que você tem em mãos pra vencer, mas meio que suas mãos são muito pequenas pra tanta ação e aí as coisas começam a ser preocupantes. Parece mais que você só vai ter 3 magias pelo jogo e vai ter que reequipar elas a cada luta pra mudar seu set, o que é meio burro, porque na mesma luta você pode chegar a precisar de umas 5 (normalmente boss fights).

Agora, aí vai uma boa. Na maior parte do jogo, isso não se torna tanto problema, porque a maioria dos desafios (não bosses) podem ser vencidos com duas coisinhas. Atacar e curar. Esse é um problema do jogo que muita gente já vi reclamar, e eu de fato não me importo muito mas é uma crítica válida e real ainda assim. O combate de Kingdom Hearts é bem repetitivo. Você normalmente vai estar franticamente apertando X sem parar, dar um roll, continuar apertando X, tomar uns hits e se curar. Por quê? Bem, porque em uma visão lógica, magia gasta MP pra você dar o dano com um fire que você conseguiria com um combo básico. Como pra acertar as magias você precisa entrar em certos ranges e ângulos, se torna um incômodo e toda vez que você gasta MP, menos MP você vai ter pra usar Aero ou se curar. Por causa disso, a gente sempre pega o caminho mais safe e lógico que é simplesmente continuar atacando, já que o Sora é muito bom dando dano normalmente. Isso, faz o combate ser bem repetitivo, porque você vai estar sempre seguindo o mesmo padrão de ataque, contra inimigos fortes ou não.

Só podem ser atacados por trás

Mas, eu dou um ponto pro jogo porque nem todos inimigos são vencidos só apertando X, e nessa de apertar X também tem reposicionamento, timing e ângulos, porque muito do combate desse jogo leva em conta sua posição pra funcionar, já que onde o Sora vai atacar é semi automatizado, mas diferente de um Batman Arkham ou Shadow of Mordor, toda vez que você ataca ele vai dar ataques programados, não sair correndo no inimigo mais próximo e acertar ele certinho. Por isso, se você quer acertar um inimigo voador, tem que estar em uma distância ou ângulo certo pra quando você atacar, o ataque pegar, e você poder garantir que vai acertar os hits subsequentes. E, também, alguns inimigos precisam ser enfrentados de maneira diferente, seja por se teleportarem (o pior tipo), não poderem ser atacados pela frente, não levar stun e por isso poderem atacar enquanto levam hits, ou porque tem ataques muito bons que você vai precisar desviar ou defender. Mas, isso também é uma crítica que eu tenho porque o jogo não usa isso tanto quanto deveria, então sim, mesmo no final do jogo, muito inimigo ainda é vencido com se posicionar e apertar X.

A luta mal começou e ele já gastou o MP todo

Um outro problema que eu tenho é como seus party members são meio inconvenientes. O Donald gasta todo o MP dele já de cara usando as magias mais caras que ele tem com inimigos normais. E de alguma forma, o Pateta gasta mais ainda sabendo que ele nem tem tanto. Donald também toda hora pode usar magias que talvez incomodem um pouco, como usar Thunder quanto só tem dois inimigos ou usar Aero no começo de um encounter normal com bichos repetitivos. Mas o mais irritante é quando ele usa Stop e você ataca os inimigos sem saber se eles vão morrer quando o stop acabar ou não porque você não consegue mais ver a vida deles, além de stop tirar muito MP que o Donald podia estar usando pra curar ou usar magias ofensivas mais baratas pra dar um dano geral. Uma coisa meio merda é que ele também só te cura quando você tá com a vida crítica, mas como esse jogo é difícil e os danos são insanos, você pode morrer antes mesmo de chegar nisso de vida. Quando eu fico com metade da vida eu já me curo porque sei que posso morrer agorinha, mas o Donald é só quando tá piscando vermelho, inclusive curando a si mesmo. E também tem vezes engraçadas que eu me curo porque não acho que o Donald vai, e com a vida cheia ele decide que vai me curar. Mas, eu vou admitir. Na reta final, a habilidade de dar MP do Pateta não só é incrível como ele usa muito bem e usa em você sempre que pode. É realmente muito útil, que cara bom.

E, se tem algo que eu realmente quero reclamar é o sistema de Lock On insano que esse jogo tem. De alguma forma, tem um inimigo na sua frente, tocando em você, e um inimigo atrás dele se movimentando pra esquerda pra ir pra trás de você. Você aperta R1 e em qual deles o jogo mira? Pois é, em um terceiro inimigo do outro lado da arena, por nenhum motivo. Isso acontece TODAS as vezes, e eu não faço ideia de como o lock on decide funcionar e eu realmente não sei como eu aguento ele porque ele nunca vai no inimigo que eu preciso e nunca foi, eu preciso dar 5 lock ons até que vá no que eu quero. Seria bom se, pelo menos, L2 e R2 realmente trocassem o inimigo que tá mirando mas por algum motivo não funciona??? Esses botões só funcionam quando querem, tem vez que eu tenho que apertar L2 3 vezes pra ele resolver trocar de inimigo, e até chegar no inimigo que eu quero é 3 anos porque eu nem sei qual botão troca pra qual inimigo já que o lock on simplesmente não funciona.

Meu transition goals

Agora, alguns pequenos nitpicks sobre o combate. Uma das coisas que eu mais odeio é o tanto que leva pra uma magia sair nesse jogo, é totalmente o suficiente pra você morrer enquanto tenta se curar 50% das vezes. Eu não gosto muito como o Dodge não tem muitos frames de invincibilidade até onde eu sei, talvez não tenha nenhum. Acredito que seria pra balancear com o guard, mas o guard só aparece no finalzinho do jogo do nada sendo a skill mais importante do arsenal. Eu acho meio irritante como os ataques aéreos às vezes não conectam por inteiro, normalmente o terceiro hit não pega. Infelizmente, as Skills usam muito MP então eu me peguei usando bem menos do que o normal, mas elas são bem divertidas e legais o que faz isso ser uma pena. Berserk é uma skill meio merda porque nesse jogo você pode morrer antes de chegar a vida crítica pra ela ficar interessante. Eu também não gosto tanto de como os Summons funcionam simplesmente porque eles não são muito práticos, embora sejam bem legais.

Mas, apesar de tudo, eu quero levantar uns pontos bons sobre o combate, porque eu estranhamente gosto muito dele. Eu acho muito interessante a ideia de um design de combate baseado em adicionar ação em turn based (não é uma ideia nova, tem coisas como Valkyrie Profile no mercado) e faz parecer bastante o tipo de coisa que estaria em um Final Fantasy Mainline, já que FF brinca bastante com as mecânicas dele nos jogos principais e secundários. Eu também ADORO o sistema de magia, o sistema apenas. Eu gosto muito da maioria dos custos pra fazer magia e de como a barra de MP funciona, porque ela é bem diferente de toda barra de MP que eu conheço. Simplesmente porque ela é separada em vários quadradinhos, e cada quadradinho tem muitos usos dentro dele. Por exemplo, quando você tem 3 de MP, você pode lançar 3 Fires antes de cair um MP inteiro. Mas quando você tem 5, você pode dar 5 usos. É como se tivessem duas barrinhas de MP, a azul e a laranja, e a laranja é o número de micro usos que você tem. Eu também adoro fortemente como as magias são diversificadas e interessantes, elas oferecem realmente uma utilidade ativa e não só de atributos, você usa elas por muito mais coisa do que ser fogo ou ser vento, elas são bem diferentes. E, embora eu tenha falado tanto como o combate é repetitivo, ele é estranhamente satisfatório, e a parte de posicionamento é realmente mais legal do que parece, além dos eventuais inimigos que oferecem estratégias novas serem bem legais quando aparecem. E, mesmo que errar um ataque seja como arrastar a cara no asfalto, controlar o Sora é bem divertido e a movimentação dele é bem responsiva. Eu adoro pular quando você consegue o high jump, vira a coisa mais divertida do jogo ainda mais quando você consegue flutuar.

Agora, eu acabei de falar o que tinha de grande pra falar sobre na review, afinal, combate é o foco do jogo. Dessa forma, eu não tenho como sustentar uma review por muito mais tempo só com coisas secundárias, por isso, vou deixar um assunto maior pra falar daqui a pouco. Agora, lidaremos com pormenores. Primeiramente, a história do jogo tem seus bons altos e baixos. Na maior parte, é uma história bem simples, segue alguns clichês de RPG e traz alguns bons sentimentos de aventura e bons ensinamentos. Em geral, é uma história simples, e nada mais. O único problema de verdade é que os diálogos o tempo todo tentam ser extremamente filosóficos e pensativos, dando lições de moral e trazendo reflexões sobre luz, trevas, corações, etc mas… ninguém entende nada. Nada faz sentido, não dá pra entender nada do que eles dizem. São mensagens tão simples e supérfluas que você consegue resumir uma fala em “isso é bom” e “isso é mau”. É honestamente chocante como não entendi bulhufas de nada do que o Ansem disse do início ao fim das aparições dele, e a próxima vez que alguém disser “darkness” na minha frente eu vou mandar a merda. Eu simplesmente não tanko mais sair de todo diálogo me perguntando “que cacete isso quer dizer?” Eu sou uma mulher simples. Não estudei psicologia e cristianismo pra jogar Kingdom Hearts. Não sei de onde essa baboseira filosófica vem e não poderia me importar menos. Mas, se você tira isso da história, o que resta? Na verdade não faz diferença nenhuma. É uma história bem simples, você não precisa entender os pormenores de como o jeito que os mundos são conectados ou se Monstro é um planeta ou um bicho aleatório de outro mundo, não faz diferença. Você acompanha personagens e aventuras, e você consegue entender ao menos os conflitos, sentimentos e se relacionar com eles.

Mas, os personagens são bons? É, bons são. Mas como o resto da história, não é nada mais que isso. Eu gosto de algumas linhas de certos personagens como quando a Kairi menciona sair sozinha com o Sora e deixar o Riku, trouxe uma personalidade meio interessante pra ela, mas em geral os personagens são bem simples. Mas, simples não é exatamente ruim, e um dos personagens mais simples do jogo também é o mais legal. O Sora é o melhor protagonista que Kingdom Hearts poderia ter, é até estranho jogar Kingdom Hearts que não tem o Sora como protagonista, e até que todos que o Sora não é protag, por design, passam sentimentos totalmente diferentes porque os devs entendem a importância que o Sora tem. Ele é absolutamente o personagem mais Disney que você pode criar, e a personalidade e sentimentos dele se relacionam com cada personagem que ele encontra na aventura dele. Ele facilmente se adapta a qualquer ambiente e os valores dele sempre levam ele mais perto da luz que ele tanto fala sobre. Ele é fofinho, carismático, engraçado, e embora a camisa e a bermuda dele sejam… a mesma peça de roupa… o design e overall visual dele passam uma vibe muito boa e calma. Eu confiaria no Sora, e eu gostaria de ser amiga dele. O sorriso dele também é um dos mais bonitos que eu conheço e eu adoro ver ele sorrir. Ele também é bem gay mas o Riku é bem mais.

A música é bem agradável, é muito boa e especialmente bem memorável, além de que algumas composições são baseadas nos filmes originais da Disney então acabam trazendo sentimentos melhores. Infelizmente, tem algo que eu gostaria de falar sobre mas eu não teria como dizer. Eu não sei se os mundos são realmente fiéis aos filmes, porque a maioria deles vi quando era bem pequena. Mas, se serve de alguma forma, digo que Halloween Town é maravilhosa e divertida. Talvez, seria bom falar sobre os mundos um pouco.

Kingdom Hearts tem, obviamente, mundos baseados em filmes da Disney. Como falei, não posso verificar a fidelidade de qualquer coisa que não seja Nightmare Before Christmas, mas eu tenho uma crítica a fazer. Não sei se foi processamento ou design, mas todos os mundos são… muito vazios. Vazios demais. Não tem quase ninguém. Traverse Town se você contar que foi invadida por Heartless na maior parte da cidade, faz até bastante sentido ter pouca gente, talvez estejam dentro das casas e as que estão na rua já passam um ar mais vivo. Mas o capitão Gancho não tem ninguém na tripulação dele, Halloween Town é infestada de nada, Atlantica é o reino mais sem graça e oco do mundo, e os jogos no coliseu são assistidos por literalmente ninguém. Eu não me importaria se no último exemplo fossem só pngs nas arquibancadas, mas gostaria que tivesse qualquer indício de pessoas. Agrabah também é um delírio, uma cidade inteira que só tem a Jasmine nela. Outro problema em relação aos mundos é que todos eles são completamente lineares, no maior sentido da palavra, mesmo labirintos e lugares pra te confundir, lugares cheios de caminhos, os caminhos não significam nada, nesse jogo você só vai pra frente e onde o jogo te disser pra ir, o que, aliás, é o próximo problema, esse é um jogo muito difícil de se achar. Acontece que Kingdom Hearts quase nunca te diz onde ir e o que fazer, ele realmente só te larga no lugar e você que se vire. Nesse jogo eu estabeleci uma regra que se eu ficar uma hora sem saber o que fazer eu ia pegar um walkthrough, e eu tive que fazer isso 6 vezes.

Outra coisa meio merda é que as seções de Gummi Ship são só esquecíveis e desnecessárias. Eu até gosto do sentimento de aventura que traz pro jogo, mas é em geral um shooter bem decepcionante e fácil, esquecível e eu realmente não me importo com ele. É mais um incômodo, felizmente o jogo introduz teleportes até que cedo pra você não ter que se preocupar em jogar seções de Gummi Ship toda vez que for trocar de mundo.

Mas agora, vamos falar sobre a última coisa antes de ir pro prato principal. E as coisas secundárias do jogo? Bem, esse jogo enquanto você avança te dá algumas habilidades novas, como planar, pular mais altos e te dá mais trinities pra interagir, então tem bastante motivo pra voltar em mundos anteriores pra achar coisas novas, o problema é que em geral não é grandes coisa que você encontra assim, salvo uma ou outras vezes você normalmente vai pegar algo como um Elixir. Dito isso, tem alguns segredos que realmente te dão coisas muito boas e importantes. Fora isso, você também pode achar os 101 Dálmatas espalhados por aí e eles vão aparecer em uma casinha em Traverse Town. Você também pode achar páginas do livro do Merlin, onde fica o bosque dos 100 acres. Lá tem alguns minigames legais e coisinhas divertidas com personagens interessantes, basicamente isso, eu gosto do pessoal do Pooh. Além disso você também pode procurar por itens especiais como itens de invocação, ou evoluir o Sora pra conseguir habilidades novas pra ele. Então, o conteúdo secundário não é muito importante. E, honestamente, se você não quiser jogar numa dificuldade mais alta, não é um jogo que dá tanta vontade de rejogar também. Ele tem bastante partezinha chata que a gente desconta porque nem tudo acerta em tudo, mas em geral uma experiência não vai ser tão diferente da anterior assim, mesmo se você for mais habilidoso porque a maioria das coisas você vai conseguindo enquanto joga e se no final você for muito bom em guard, que bom, não tem guard até o último mundo da Disney em uma segunda playthrough então replayability não é o foco de Kingdom Hearts.

Agora, chegamos no Grand Finale. O meu rant principal com Kingdom Hearts. De todas as falhas do jogo, essa é a única que eu me importo de verdade, e me importo mesmo. É a única que influenciou minha gameplay muito negativamente e eu quase desisti de fazer esse texto e de sequer terminar o jogo por causa disso. Eu to falando sobre as impressionantemente merdas Boss Fights de Kingdom Hearts. Vamos começar resumindo de uma vez e depois falamos mais in-depth. São batalhas longas, frustrantes, repetitivas, algumas são bem injustas, tem padrões chatos e irritantes, e você vai morrer várias vezes sem saber o que fez de errado, influenciando a sua nova tentativa. Also, na versão de PS2, você tem que ver todas as cutscenes de novo quando perde uma vez pro boss, boa sorte.

Mas, vamos por partes né? Os bosses em grande maioria tem 3, 4 ou 5 barras de vida, as lutas podem ir dos 10 minutos pra mais. Além de longas, elas são muito grandes em quantidade, tem duas boss fights por mundo no mínimo o que… não é problema, mas já adianto, no final do jogo, sem brincadeira, tem umas 15 em menos de 2 ou 3 horas, eles realmente metralham boss fight em você, e pode ser o mesmo chefe de novo e de novo.

A dificuldade é bem insana nessas boss fights porque o Sora não tá fisicamente preparado pra elas. É bem simples, não é só ele tomar dano demais, mas ele leva muito tempo pra se recuperar, ele não tem um dodge bom pra desviar das coisas, a câmera não te dá 10% da visão da fase inteira pra você ver os ataques dos seus inimigos que, em maioria, são gigantes. E tem boss fights que você pode, de verdade, morrer em 2 hits, e seria legal mencionar que eu tive uma boss fight dessa 10 boss fights antes da luta final então é bem absurdo. Uma coisa bem importante é que embora você tome muito dano o jogo de fato te dá recursos pra salvar isso. Por exemplo, Cura recupera uma boa parte do seu HP de uma vez, e só gasta 1 MP pra usar. Aero gasta 2 MP, mas se você tá atacando o Boss você recupera essa barrinha rapidamente, e se não recuperar, usa ether. Simples, né? Parece até balanceado! Duvido você conseguir usar qualquer uma dessas coisas. As boss battles são caóticas e infernais, enchem a sua tela de hitboxes sem parar e você muito raramente tem tempo pra realizar sua curazinha ou aplicar um escudinho mixuruca que você por algum motivo não vive 2 segundos sem. E, se você não consegue nem curar nem aplicar escudo, que tempo você tem pra usar um ether, hein? Não tem tempo pra usar o ether.

Seria ao menos aceitável se fosse algo como Dark Souls, com tentativa e erro e você melhorar bastante suas habilidades, mas os padrões dos chefes são muito chatos e às vezes você entender eles não faz diferença nenhuma porque você não sabe como evitar e passar por cima, e por causa disso você vai morrer confuso sem saber o que fazer quando tentar de novo, às vezes parece que é LITERALMENTE sorte. Sorte do lock on ter te colocado em uma posição diferente no ar que por sorte conseguiu acertar o terceiro hit do combo. Foi sorte que você acabou sendo lançado pelo terceiro hit do combo em cima de um lugar que não tinha fogo. Ou foi azar que no momento que o float acabou não tinha nenhum lugar pra você pisar que não estivesse sendo metralhado de projéteis. Ou sorte sua que a câmera mostrou a bala vindo na sua direção e você é bom o suficiente pra reagir a tempo e atacar pra rebater a bala, você é muito bom. Mas tem aqueles que tiveram o azar da câmera não mostrar o projétil vindo, levaram e não tem o que fazer porque talvez até estivessem de costas pra ele. É disso que eu to falando. Tem coisa que o jogo que decide se vai funcionar ou não e faz as lutas serem basicamente apostas. Contra o Chernabog eu não sabia 5% de como acertar a cabeça dele porque enquanto ele se mexia sem parar os ombros dele me empurravam e como eu tava voando eu mudava totalmente de lugar e tinha que me reposicionar de novo. Me reposicionar aonde? Eu não sei! Porque a hurtbox dele é minúscula e eu não sei como acerta ela consistentemente. Sério, tem muito boss, não é pouco não, que você fica preso na última barra por 30 minutos porque o boss fica 2 minutos invencível e 10 segundos atacável e nesse tempo você tira só 5% da barra porque ele não para quieto pra você acertar. E o pior, esse tipo de boss tende a voltar de novo e de novo porque esse jogo gosta MUITO de reciclagem. Eu acho incrível como os bosses tem uma fascinação por repetir os mesmos padrões de novo e de novo por 3 minutos inteiros, sendo que o padrão é literalmente só apertar pra frente e quadrado várias vezes que você desvia, e aí ele fica mais 5 segundos com a hurtbox ativa pra você atacar antes de começar o padrão merda de novo.

Essas lutas são estressantes. Muito estressantes. São… mais do que eu podia aguentar. Eu consigo me forçar a aguentar algumas coisas pra terminar um jogo, e eu me esforço mais se for pra fazer uma review mas com esses chefes só… não era cabível. Chegou um ponto que eu tava levando 2 horas por chefe em lutas de 10 minutos e eu não tava aguentando mais. Não valia a pena mais. Como eu falei no início da review Kingdom Hearts foi minha salvação mas isso tava se esvaindo. Por alguns dias, eu completamente dropei o jogo, e a franquia como um todo porque de tudo que eu joguei o design dos bosses parece se manter na maioria dos jogos. Eu não quero esse tipo de desafio e eu não sou capaz de passar por eles… graças a Deus, eu jogo Kingdom Hearts por emulador. Eu decidi que zerar pelo youtube não ia ter a graça que eu precisava, mas eu precisava terminar de alguma forma. Foi aí que eu decidi que após cada barrinha que eu tirar de um boss, eu ia dar savestate. Por isso, eu não posso julgar a dificuldade de alguns dos últimos bosses (eles são difíceis ainda assim) porque eu facilitei a experiência pra mim. Você quer me julgar? Bem, você pode, mas eu tava a ponto de ter uma crise depressiva porque eu tinha dropado a única coisa que me fazia bem atualmente e eu não podia só ir embora. O savestate salvou minha vida e eu não vou ter vergonha de usar nos bosses que eu não achar justos ou divertidos, o que não vale meu tempo não vale meu tempo.

Mas… tem exceções. A primeira exceção não é boa, mas tem algumas boss fights que são tão fáceis que chegam a ser muito entediantes e ainda mais repetitivas que o normal, mas eu admito, tem umas que são realmente boas ou pelo menos bem interessantes. Cito em especial a luta contra as cartas em Wonderland que você precisava destruir torres, então a primeira luta com o Bicho Papão com as coisas legais dos dados, aí a segunda luta com ele escalando ele gigante e destruindo as esferas negras, e então a luta com o Capitão Gancho que é bem difícil mas bem divertida só que… só que morrer te leva pra uma luta bem demorada que rolava antes dessa porque é onde tá seu checkpoint e você tem que ver todas as cutscenes e jogar a luta de novo pra poder tentar lutar com o Gancho mais uma vez.

Final Boss (ele é grande)

E então, tudo de ruim que eu falei do jogo até agora, culminam especialmente na reta final do jogo que, é um terço do jogo. Fica ainda mais repetitivo, mais frustrante e parece que nunca termina, especialmente porque o último mundo do jogo tem 10 bosses, na verdade, mais que isso mas eles reusaram o Behemoth 4 vezes então eu nem considero boss mais (ele é, tem várias barras de vida). Você mata um boss ridículo de merda, cutscene, outro boss ruim, cutscene, outro boss ruim, aí um boss meia boca pra depois da cutscene vir outro merda… é o que eu queria dizer. Acontece que, embora uma boa parte sejam bosses ruins, normalmente formas do Ansem, alguns desses bosses são… divertidos. Não são muitos mas são os bosses mais experimentais, como os canhões, e tem alguns bosses que mal podem ser considerados como Nowhere Place. A reta final, quando você não tá lutando com boss ruim é… ugh, sinceramente, divertida… um pouco… demais… a reta final fica legal. Se torna algo mais épico e glorioso, um finale perfeito, se não tiver mais nada de bom eu pelo menos garanto que é grandioso. Eu simplesmente ADORO os Nowhere Places porque são simplesmente vários inimigos fracos na mesma sala que se tornam fortes por isso, e isso é uma ideia muito legal. Na verdade, sinceramente, toda a ideia de lutar com o Ansem em uma battleship gigante bizarra é maravilhosa porque você vai destruindo o navio pedacinho por pedacinho. Eu falei bastante na review como tinha muito boss nesse final, mas eu defendo a ideia (não exatamente a execução porque tem muita luta ruim sim) porque parece muito épico, você tá realmente destruindo tudo com o Sora.

Então, o jogo termina. Como eu me sinto? Bem, eu to… chorando bastante. Se salvar meu ano não fosse motivo suficiente pra ter valido a pena jogar Kingdom Hearts, essas cutscenes finais foram. Mickey, Riku, Kairi… Sora… Meu coração tá sorrindo e eu to sem chão agora. Eu to preocupada com os personagens, e o que a franquia vai ser daqui pra frente mas nada disso importa. Eu to bem feliz e satisfeita. Querem saber? Eu acho que nem os bosses importam pra mim agora. Minha felicidade jogando Kingdom Hearts sempre superou cada defeito que eu tenho pra apontar, e eu me esforcei pra xingar tudo que eu podia. De alguma forma Deus permitiu que esse jogo rodasse no meu PC (único jogo leve de PS2 além de Disgaea 1), e com muita felicidade meu 2021 melhorou. Esse é meu primeiro passo em uma franquia que ainda pode fazer minha vida muito melhor.

Hoje eu terminei Kingdom Hearts, chorei com Simple and Clean, chorei com Dearly Beloved, chorei com o sorriso do Sora enquanto ele e a Kairi se afastavam… Esse jogo me trouxe sentimentos bons, sorrisos maravilhosos e um alívio no coração. Foi um jogo confortável, divertido e imersivo. Foi uma experiência muito importante pra mim. Eu também acho que se algo ele faz bem é o sentimento perfeito de uma aventura grandiosa, e eu estou eternamente ligada a Kingdom Hearts. Eu falei que ia ser um textinho curto. Não foi, nem de perto, mas eu estou feliz. Essa foi a review, boa noite e beijinhos.

YOU’RE GONNA CARRY THAT WEIGHT

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